Influenciadores digitais e seu impacto nas decisões de consumo

Enviada em 22/08/2021

De acordo com o filósofo alemão Karl Marx, a essência do homem é não ter essência, para que assim essa seja construída através de uma interação com o meio em que vive. Diante disso, o papel de influenciadores digitais e seu impacto nas decisões de consumo são de certa forma uma influência do meio. Sob essa perspectiva, a atuação de influencers digitais é capaz de articular e movimentar a população, que se utilizada de forma consciente possibilitará positivos impactos sociais, entretanto, a representatividade não cabe a todos, tal que as relações de consumo podem estabelecer a formação de um poder coercitivo e sufocante. Logo, o panorama carece de intervenções para os impactos sociais.

Sob esse viés, influenciadores digitais possuem a capacidade de promover a articulação social, que através do marketing podem causar uma mobilização social. Nessa linha de raciocínio, Gil do Vigor, ou Gilberto Nogueira, foi um ex-participante do Big Brother Brasil de 2021, que por deixar uma presença marcante no programa, dado que foi um dos únicos participantes da comunidade LGBT e que cativou o público por seu humor, foi chamado para promoção de diversos produtos como do chocolate Bis e da marca iFood, abarcando a representatividade da comunidade em tal meio. Acerca disso, Gil funcionou como um catalisador em uma reação química, na qual o catalisador impulsiona a reação, que análogo a Gilberto, impulsionou a venda do chocolate, ao abarcar uma maior quantidade de pessoas com a diversificação do público alvo. Dessa forma, a influência pode exercer reações positivas.

Ademais, a construção de uma relação de consumo pelos influencers pode deixar de causar bons impactos na sociedade levando a uma relação sufocante para atender os ideais. Nesse sentido, Michel Foucault teoriza sobre a “sociedade da normatização”, tal que aborda sobre um corpo social que é modelado visando atender os princípios propagados pela indústria cultural ou mesmo de produtos para um sujeito que seja funcional e atenda os requisitos mínimos sociais impostos por elas. Sob essa óptica, as diversas formas de marketing estão atreladas a propagação de pessoas idealizadas, que na busca por atingir o que é proposto indivíduos devem se sujeitar mais ao “ter do que ao ser”. Para mais, a idealização se utiliza de rigorosos critérios que exigem intervenções.

Portanto, o cenário carece de medidas governamentais. Para tanto, no país brasileiro o Ministério das Comunicações deve promover propagandas em redes televisivas de canal aberto, que através de influencers digitais e atores - como Jojo Toddynho e Gil - devem promover a maior representatividade e quebra de estereótipos da indústria. Além disso, em parceria a empresas privadas, deve-se promover a criação de um marketing social, ou seja, que não seja capaz de exercer uma coerção a pessoas que não se encaixam nos padrões. Por fim, o corpo na sociedade de Foucault não seria moldado por influencers.