Influenciadores digitais e seu impacto nas decisões de consumo

Enviada em 22/08/2021

Após a Crise de 1929, os Estados Unidos implementaram a divulgação de um estilo de vida americano, conhecido como New Deal, caracterizado por certos produtos em destaque nas televisões e outdoors. Em analogia a essa prática, o sistema capitalista se adapta às mudanças da sociedade e, hoje, o seu principal mecanismo de venda é a internet, acentuado pelos influenciadores digitais. Entretando, abordam-se preocupações em torno do impacto dessas pessoas nas decisões de consumo, principalmente devido à exacerbada influência como produto de venda e à ilusão de uma vida perfeita nas redes sociais.

Primeiramente, a atual onda do consumismo por meio dos influenciadores digitais é pautada na conexão próxima da nova profissão com a comunidade virtual, que eventualmente tornam-se atrativos consumidores. Ao expor suas opiniões ou práticas e manter uma troca com seus seguidores, os criadores de conteúdo da internet estabelecem laços com um nicho de pessoas, e a partir de seu engajamento, chamam a atenção de marcas para propagar suas mercadorias. Contudo, o perigo da atuação de ponte entre empresa e consumidor, está no único objetivo de venda ao utilizar da monetização dessa relação, que ocasiona em publicidades falsas e irresponsáveis. Paralelamente à ideia de indústria cultural, segundo Adorno e Horkheimer, de formação de uma estética comum voltada ao consumismo, o patrocínio do mercado nos trabalhadores midiáticos influi nos hábitos dos compradores.

Em segundo lugar, por exibirem uma vida patrocinada com excesso de bens materiais, os influenciadores disseminam um ideal de vida perfeito, sem problemas e com muito consumo. Aliás, a grande maioria das blogueiras publicam uma pequena porcentagem de sua vida, ao focar apenas nos momentos alegres e de sucesso, justamente como estratégia de venda da sua vivência. Tal como é o exemplo das princesas da Disney: além de ser difundido um padrão estético entre as meninas, as personagens viviam um conto de fadas, que pode ser criticamente comparado à farsa do dia a dia exibida nos meios de comunicação.

Portanto, infere-se a necessidade de tomar medidas sobre o mal impacto dos influenciadores digitais nas decisões de consumo. O Governo, juntamente com o Ministério das Comunicações, deve criar uma nova lei que regulamentarize as propagandas feitas pelos influenciadores, a fim de ter controle sobre a veracidade das informações; deve também dispor de uma campanha nas redes sociais que exalte a “vida real” dos cidadãos, por meio de vídeos e posts com histórias de pessoas não famosas. A partir dessas ações, espera-se difundir um “new deal” brasileiro baseado no protagonismo das pessoas.