Influenciadores digitais e seu impacto nas decisões de consumo
Enviada em 22/08/2021
Segundo o pensador Aristóteles, a busca pela felicidade é a finalidade da vida humana e essa pode ser alcançada pelas ações dotadas de racionalidade e equilíbrio. Nesse viés, a ideia do filósofo grego vê-se em discordância com a sociedade hodierna, tendo em vista a consciência de consumo impactada pela influência de figuras digitais. Logo, nota-se que a identificação com a imagem de um influenciador oculta a propaganda e intenção comercial existente, o que resulta em um consumo descomedido.
Vale ressaltar, em primeira análise, que o processo de impactação em hábitos de compra não é fenômeno exclusivo aos influenciadores digitais, de forma que se podem traçar paralelos com outros momentos da história. Isto posto, constrói-se uma analogia entre a persuasão comercial do século XXI, causada pela popularização de certas pessoas em redes sociais, e o período conhecido como “Loucos Anos 20”, nos Estados Unidos, denotado por propagandas em meios televisivos e jornalísticos, os quais, assim como no processo anterior. A partir dessa visão, percebe-se, em ambos os casos, uma construção cultural de que se deve consumir o que é propagado para se inserir na sociedade, de modo que não o sendo feito, confirma-se a exclusão social àqueles que não se integram. Por fim, as pessoas com menor poder aquisitivo são secundarizadas em sua participação na sociedade, fator que ressalta a necessidade de ações para aplacar a situação.
Além disso, destaca-se que o consumo de produtos divulgados por influenciadores, realizado pela identificação e aspiração pela pessoa que os difunde, é um mecanismo de defesa dos indivíduos que visam manter sua posição em um sistema industrial massivo. Dessa forma, esse sentimento de necessidade de inserção de um cidadão a seus semelhantes é explicado pelo sociólogo francês Émile Durkheim sob o conceito de “fato social”, o qual, segundo Durkheim, é coercitivo e impõe os valores da sociedade ao indivíduo nela inserido. Sob essa ótica, nota-se que a busca pela integração social é refletida no consumo desenfreado dos itens que possibilitem às pessoas satisfazer sua impressão de pertencimento, fator que demonstra a ingenuidade da população quanto à sua gestão financeira.
Portanto, nota-se que o impacto das figuras digitais nos hábitos de compra, com seu consequente consumismo desenfreado, denotado por uma carência de consciência financeira, representam potenciais riscos à sociedade do século XXI. Para atenuar a problemática supracitada, deve o Estado, por intermédio da Mídia, promover campanhas de saúde financeira, por meio de propagandas e programas de consumo consciente, visando reduzir na população a necessidade de aquisições para construção de imagens sociais e o desconhecimento quanto à gestão monetária. Destarte, pode-se viver em uma sociedade cuja população é feliz e virtuosa, sob os moldes de Aristóteles.