Influenciadores digitais e seu impacto nas decisões de consumo
Enviada em 22/08/2021
No seriado Black Mirror, no episódio “Nosedive”, uma sociedade é motivada a expor em suas redes sociais um retrato perfeito de suas vidas, um fim de conseguir boas avaliações (fama) e, por conseqüência, alto poder de consumo. Quando alguém atinge este patamar, torna-se influenciador, ou seja, provoca mudanças sociais. Fora da ficção, os influenciadores digitais promovem um enredo semelhante ao da série, pois impactam com um fenômeno crescente social: o consumismo. Dessa forma, configura-se um grave problema de contornos específicos, que precisa ser revertido. Primeiramente, percebe-se que um desses contornos é uma falta de debates sobre o impacto social que os “influenciadores” exercem na população. Segundo Michael Foucault, muitos temas, na sociedade contemporânea, são silenciados para que estruturas de poder sejam mantidas. Neste viés, tais profissionais estão cada vez mais atraentes, objetivos e persuasivos no que tange ao interesse do internauta. Auxiliados, então, as ferramentas de marketing digital e motivados pelas parcerias empresariais, eles estimulam o consumo descriterioso de produtos e serviços, emudecendo possíveis possíveis / debates / reflexões, e estabelecem uma supervalorização deles mesmos. Com isso, o silêncio reina e o consumo aumenta.
Outrossim, vale ressaltar que a lacuna educacional, ampliada pela precoce inserção de usuários não totalmente escolarizados na internet, é mais um contorno configurador do problema. Nesta perspectiva, observa-se que a escola, principal agente da educação hodierna, não tem cumprido importante sua missão de elucidar, criticar e fazer refletir sobre o imediato presente nas redes sociais e sobre como a influência das redes afetam os hábitos de consumo, especialmente para as crianças e pré-adolescentes, já que estes ainda tendem a agir passivamente no ambiente virtual. Logo, infere-se que é importante rever os passos da educação em vista de reverter este problema e de evitar a ampliação do consumismo.
Portanto, para mitigar toda essa problemática, é necessário que o Ministério da Educação promova conteúdos educativos, explicando e desenvolvendo uma postura crítica no meio virtual, por meio das mídias sociais. Desse modo, esta ação rompa ou silenciamento e educação para cibernéticos. Ademais, é mister que o Ministério das Comunicações estabeleça um regulamento entre empresas e “influenciadores”, por meios legislativos, até entregues à Câmara dos Deputados, para atenuar o impacto dessas decisões de consumo da sociedade. Por fim, Nosedive não será mais associado à realidade pós-moderna.