Influenciadores digitais e seu impacto nas decisões de consumo

Enviada em 22/08/2021

O filme “Sete Homens e um destino”, de Antoine Fuqua, mostra a missão de 7 indivíduos de defender uma cidade, no deserto americano, de um criminoso e sua gangue. Durante a trama, é possível perceber que a região é uma terra com pouca ou nenhuma lei, e com uma presença mínima das autoridades locais. Analogamente a isso, a internet no Brasil tornou-se uma espécie de “Velho Oeste” digital, já que as leis não impedem ou limitam a atuação dos influencers digitais, que propagam diversas ideias sem qualquer limitação, gerando diversos problemas dentro e fora da esfera social, como a influência para compra de certos produtos, mas que promovem ações sociais que buscam solucionar algum problema ou obstáculo social juntamente com seus seguidores.

Diante desse contexto, destaca-se o papel dos influenciadores no tocante à formação da opinião de seu público. Isso porque, de acordo com o filósofo alemão Theodor Adorno, a cultura capitalista impõe uma série de mecanismos, no caso os influencers, com o intuito de criar uma “padronização” do consumo, forçando assim a perda de opinião própria e despertando o desejo dos seguidores para determinadas marcas e produtos que não necessários em seu dia-a-dia, contribuindo assim para a ampliação e perpetuação do modelo consumista atual. Tal mentalidade corrobora, assim, com a perpetuação de algumas atitudes irresponsáveis por parte dos influenciadores digitais.

Sob outro viés, é notável a recorrência de casos dos influenciadores como formadores de caráter para o público mais jovem, já que, conforme teorizado pelo filosofo inglês Adam Locke “a mente é, inicialmente, como uma ‘folha em branco’”, ou seja, todo conhecimento é adquirido por meio de experiencias e da própria vivencia. A exemplo disso, pode-se citar o caso do influenciador Gaulês, que levou seu público a arrecadar, sozinho, 60 mil, em abril de 2020, para a Central Única das Favelas (CUFA), como forma de auxiliar no combate ao novo coronavírus. Assim, tal acontecimento revela a importância do papel dos influencers digitais como criadores de cidadãos empáticos.

Diante do exposto, é claro o papel dos influenciadores como criadores de padrões de consumo. Sendo assim, é dever do Ministério da Educação, em conjunto com as instituições de ensino, fomentar o pensamento crítico do público mais jovem que utiliza redes sociais, por meio da adoção de um modelo de “educação libertadora”, como escrito pelo filósofo brasileiro Paulo Freire, que almeja educar e treinar para possuir um senso crítico sobre tudo aquilo que é consumido ou visto em redes sociais, evitando assim que ele perca sua individualidade. Dessa forma, espera-se que o impacto dos influenciadores digitais seja direcionado para a criação de indivíduos socialmente responsáveis.