Influenciadores digitais e seu impacto nas decisões de consumo

Enviada em 22/08/2021

De acordo com um estudo realizado pelo Instituto Qualibes, ao menos 76% dos internautas brasileiros já consumiram produtos ou serviços após a indicação de influenciadores digitais e 82% prestam atenção nas publicações pagas. Em razão disso, nota-se a repercussão acerca da indução nas decisões de consumo cometida pelos influentes no Brasil. Nesse viés, é forçoso analisar os fatores que contornam esse cenário: A obsessão pela novidade e o aumento da cultura do consumismo.

Em primeira instância, deve-se salientar que a necessidade de aquisição de itens de última geração contribui pra persistência da influência do consumo descontrolado no país. A esse respeito, o sociólogo Zygmunt Bauman cita, em uma entrevista ao jornal espanhol “La Vanguardia”, que “não se pode escapar do consumo: faz parte do seu metabolismo! O problema não é consumir; é o desejo insaciável de continuar consumindo […] As relações humanas são sequestradas por essa mania de apropriar-se do máximo possível de coisas.”. Essa concepção se aplica ao problema em pauta, já que o desejo de possuir bens materiais desencadeia atitudes impulsivas de comprar. Dessa maneira, é indubitável que a atuação das pessoas do meio da internet traz consequências para toda a sociedade.

Em segunda instância, nota-se a ascensão do comportamento consumista causada, sobretudo, pela persuasão dos influenciadores digitais. A exemplo, tem-se a “Teoria da indústria cultural”, fundamentada pelo filósofo Thomas Adorno, em que ele cita que a “Indústria Cultural” impede a formação de indivíduos autônomos, independentes, capazes de julgar e de decidir conscientemente, produzindo padrões que se repetem, com a intenção de formar uma estética ou percepção comum voltada ao consumismo. Esse comportamento analisado pelo estudioso assemelha-se à pratica do indivíduo alienado pelas redes sociais. Sendo assim, a ausência de orientação estimula comportamentos assíduos de compra, os quais se apresentam como um entrave para a capacidade do cidadão decidir suas ações, sem influência de terceiros.

Portanto, conclui-se que é necessário refletir sobre a alta influência do consumo no Brasil, entendendo as raízes dessa problemática e seus agravantes. Cabe à Secretaria Especial da Cultura, por meio da parceria com a mídia, produzir propagandas -divulgadas em redes sociais, canais de televisão e cartazes-, a fim de diminuir o consumo.