Influenciadores digitais e seu impacto nas decisões de consumo
Enviada em 22/08/2021
Atualmente, as redes socias possuem uma função crucial no que se refere a conectar, de maneira rápida, uma empresa e o mercado consumidor, sendo os influenciadores digitais uma peça indispensável nessa comunicação, uma vez que eles atingem um grande público nas mídias. Entretanto, esse poder de influência sobre a decisão de outros pode ser prejudicial para a população brasileira, haja vista que isso contribui para a formação de um corpo social inconsciente acerca do que consome, além de guiado pelo hedonismo.
Em primeiro lugar, cabe destacar que o papel dos influenciadores contribui para a construção de um sociedade menos cética a respeito do que compra. Isso ocorre, sobretudo, pois, como afimar Gilles Deleuze, o capitalismo não é apenas um sistema de trocas econômiccas, mas também um administrador de desejos. Nesse sentido, é notório que influenciadores digitais, que sempre aparentam “perfeição” frente às câmeras, ao anunciarem um produto, dignificando seu uso e, dessa forma, incitando seu público a consumi-lo, criam um imaginário na mente de seus interlocutores no qual a felicidade e a “perfeição”, inalcançálvel, só se materializa com o consumo desse determinado produto. Desse modo, isso produz no receptor um inconsciente desejo pelo que foi anunciado, sem qualquer pesquisa prévia sobre sua qualidade.
Além disso, nota-se que o poder de persuasão dos “digital influencers” é responsável pela consolidação do hedonismo, materializado no ato de consumir, na sociedade. Isso, de acordo com o sociólogo Zygmunt Bauman, tornou-se real na contemporaneidade, visto que a busca por prazer rápido e contante, hedonismo, é “encontrado” no consumo de bens materiais - joias e celulares - ou imateriais- - viagem. Dessa forma, a motivação ao consumo pelos influenciadores digitais cria na sociedade a equivocada e errônea associação de que prazer e consumo são sinônimos.
Portanto, cabe ao Governo Federal, com o objetivo de tornar os cidadãos mais críticos e conscientes acerca do que estão consumindo, alertar a população, por meio de campanhas informativas, sobre o poder de decisão de influenciadores digitais na hora da compra, para que assim as pessoas tenham mais responsabilidade e sejam mais analíticas no ato do consumo. Apenas dessa maneira, o Brasil não caminhará para se tornar um país repleto de consumidores hedonistas e sem análise crítica.