Influenciadores digitais e seu impacto nas decisões de consumo

Enviada em 22/08/2021

“O homem é fruto do meio em que vive”, tal frase do iluminista Rousseau demonstra o quanto as pessoas são influenciadas ao longo de sua vida. Sob esse prisma, é possível inferir uma relação entre a citação e a realidade, principalmente nas redes sociais, no qual, muitos influenciadores causam impacto nos usuários, especialmente em relação ao consumo. Nesse sentido, o maior contato com esses “influencers” e a contribuição para a persistência de padrões estéticos são, respectivamente causa e consequência quanto a esses efeitos. Logo, medidas são necessárias para reverter o quadro atual.

Verifica-se, a princípio, que o ser humano é uma espécie bastante influenciável, principalmente quando as relações são contínuas. Isso acontece, pois no cérebro existem inúmeras células chamadas de neurônios espelhos que a todo momento “contamina” o cerebelo com falas, gestos e ações alheias que ou são interessantes para o indivíduo ou as que são muito repetitivas. Um exemplo disso é a conversa, no qual desde pequena, a criança é extremamente influenciável pelas palavras que saem da boca de seus pais e depois de um tempo começam a falar também.  Tal cenário se aplica da mesma forma com pessoas influenciadoras e, com o avanço das redes sociais, a relação ídolo/fã ficou cada vez mais íntima, tornando a influência ainda maior.

Por consequência, essa persuasão gerada no mundo digital contribui para a persistência de padrões estéticos que necessitam ser quebrados, uma vez que hierarquiza culturas, portes físicos, cor de pele etc, causando impactos negativos naqueles que não se encaixam nesses modelos. Tal fato pode ser exemplificado quando um “influencer” faz uma propaganda de uma marca de chapinha, induzindo seus fãs a utilizarem do objeto para alisar seus cabelos, podendo assim, agir como seus ídolos o que, indiretamente, coloca, na exemplificação citada, o tipo liso acima do crespo/ondulado. Dessa forma, intervenções se mostram necessárias.

Diante dos fatos mencionados, o problema deve ser enfrentado. Cabe as plataformas digitais, como o “TikTok”, o “Instagram” etc desenvolver um plano de ação. Isso poderá ser concretizado através da criação de algoritmos que diminua o contato entre um perfil famoso e o de um usuário comum, colocando de maneira mais “escondida” no “feed” as publicações, principalmente, de propagandas desses influenciadores, fazendo assim com que as pessoas sejam menos influenciadas, devido a diminuição do contato visual. Além disso, cabe a ONG’s aproveitar desse poder de influência para causar o efeito reverso, ou seja, promover propagandas, em parceria com essas pessoas públicas, de valorização e respeito a todo tipo de caracteristica. Dessa maneira, o ser humano poderá, conforme afirma Rousseau, ser fruto de um meio mais acolhedor e de amor ao próximo.