Influenciadores digitais e seu impacto nas decisões de consumo
Enviada em 22/08/2021
Com o advento da internet, os meios de persuasão das massas sofreram um processo de adaptação. Se antes os canais televisivos eram mural atrativo para as grandes empresas exporem seus serviços, atualmente tal papel é performado pelas redes sociais e, mais especificamente, pelos influenciadores digitais. Essa denominação faz referência a pessoas com grande alcance nas mídias sociais, as quais são acompanhadas por milhares de jovens, que buscam replicar seus estilos de vida.
Inegavelmente, o poder persuasivo carregado pelos “influencers” é gigante. Cada postagem, pensamento ou vídeo compartilhado cria rapidamente um padrão ou uma nova tendência no mercado. Por isso, hoje várias marcas fecham contratos milionários de divulgação de conteúdo com influenciadores populares nos nichos alvo de venda. Um bom exemplo disso, é a conhecida youtuber Jade Picon. A moça, é a mais nova garota propaganda da L’Óréal Paris e pintou suas madeixas, antes totalmente sem química, de loiro para a campanha publicitária para a qual foi contratada, divulga-se que tal trabalho lhe rendeu cerca de 300 mil reais. Mas o valor exorbitante tem um motivo, as tendências após lançadas rapidamente repercutem na internet e os comentários, tanto negativos quanto positivos, geram visibilidade para o empreendimento. Desse modo, os compradores, sem perceberem, são manipulados e induzidos pelas tendências de consumo.
Por fim, vale destacar que o caráter globalizador e veloz das redes sociais aceleram o processo de saturação dos produtos. Tal fenômeno é bastante evidente na moda, se a algumas décadas atrás o tempo médio de repercussão da popularidade de uma peça ou estilo de vestimentas era de alguns anos, nos dias atuais a validade atinge alguns meses. Nesse contexto, os “fast fashion” se destacam pela entrega de produtos de baixa qualidade, inspirados nos produtos em voga e que são fabricados para o descarte após poucos usos. Dentre as empresas conhecidas que seguem tal linha, pode-se citar a chinesa “Shein” que exporta milhares de produtos para todo o mundo. Porém não é preciso ir longe para encontrar esses oásis do consumismo, isso porque no Brasil a marca “C&A” publicou recentemente seu novo projeto de vendas que pretende criar novas coleções de roupas a cada 24 horas. Assim percebe-se no país a exploração do poder social dos influenciadores digitais por parte das empresas, que estimulam a alienação da juventude em prol do consumismo inconsciente.
Assim, cabe à CONAR implementar medidas de conscientização quanto à publicidade por trás de posts, por meio de regulamentos que obriguem as plataformas sociais a avisar os usuários sobre os patrocinadores das postagens, visando assim reduzir os efeitos dos influenciadores no modo de consumo da população.