Influenciadores digitais e seu impacto nas decisões de consumo
Enviada em 22/08/2021
O aclamado filme “O Mínimo para Viver”, protagonizado por Lilly Collins, retrata os prejuízos que as distorções de imagem podem trazer à vida das pessoas - tanto no que diz respeito à saúde mental, como à física. Não obstante, a hodierna sociedade brasileira enfrenta desafios semelhantes, haja vista que o culto à beleza se tornou uma obsessão no século XXI. Isso ocorre seja pela nociva influência midiática nos parâmetros sociais, seja pela manutenção do sistema capitalista, o qual prioriza, sobretudo, o lucro. Diante desse cenário, faz-se fulcral o pleito acerca dos revés para diminuir a incidência de situações como as da obra cinematográfica na nação verde-amarela. A princípio, é válido ressaltar a protagonização negativa das redes sociais como fomentadora do culto à beleza. Dessa forma, sob a óptica do exímio escritor francês Guy Debord, em seu livro “Sociedade do Espetáculo”, entende-se a imagem como ponto central do corpo social, ainda que essa seja uma estereotipação e deturpação da realidade evidente. Tendo em vista o sintetizado pelo pensador, pode-se enxergar a mídia como a personificação do espaço destinado ao uso dessa tal imagem para compartilhar apenas o conveniente, o que, lamentavelmente, traz aos demais espectadores a sensação de frustração por fazerem comparativos inalcançáveis. Aliando-se ao campo da obsessão pela estética, é indubitável a perpetuação de determinados paradigmas em virtude da idealização proposta pela internet, na qual são demonstradas vidas invejáveis, com corpos e rostos perfeitos - e inatingíveis. Assim, devem ser promovidas mudanças nos meios digitais, para o território nacional não ser mais considerado uma “Sociedade do Espetáculo”. Ademais, destaca-se a atual conjuntura capitalista como precursora da problemática. Segundo dados do Jornal O Popular, o Brasil tornou-se líder mundial em cirurgias plásticas feitas entre jovens de 13 a 18 anos, correspondendo ao aumento significativo de mais de 140% no número desses procedimentos. Tal cenário denota, indiscutivelmente, a busca irracional pelo encaixe no “padrão” de beleza da era contemporânea, além de evidenciar como o incentivo ao consumo é recorrente na coletividade, sendo esse motivado, principalmente, pelo objetivo de se obter lucro acima de tudo. Desse modo, é pertinente analisar que esses padrões sempre existiram, a exemplo da Idade Média, quando as mulheres mais gordas eram consideradas sinal de fartura e, então, mais cobiçadas. No entanto, atualmente, essa busca exacerbada pela beleza é muito mais acentuada e danosa, essencialmente devido à persuasão nos meios digitais e à tentativa de conseguir capital pelas empresas e diversos setores. Portanto, faz-se indispensável a inserção de medidas capazes de mitigar os impasses para que o cuidado com a estética volte a ser apenas uma valorização da autoestima. Para isso, o Ministério da Educação, em parceria com a mídia brasileira - maior disseminadora de informação hodiernamente-, deve, por meio de palestras virtuais - feitas por psicólogos e psiquiatras - promover o maior alcance possível às pessoas e instruí-las acerca das inverdades dispersas nos meios midiáticos, bem como do lastimável incentivo das grandes empresas em vender. Com essas e outras ações, o Estado brasileiro afastar-se-á do ilustrado no enredo de “O Mínimo para Viver”.