Influenciadores digitais e seu impacto nas decisões de consumo

Enviada em 22/08/2021

Na obra “Utopia”, de Thomas Moore, é retratada uma sociedade perfeita, com ausência de conflitos e problemas. Entretanto, observa-se, no atual contexto brasileiro, o oposto ao que o autor prega, em virtude do debate acerca do papel dos influenciadores digitais e seus impactos nas decisões de consumo. Essa discussão se deve, principalmente, ao consumismo exarcebado, bem como à anulação da capacidade de expressão.

Em primeira análise, é importante destacar o consumismo exagerado como um dos principais problemas causados pela influência dos chamados “digitais influencers”. De acordo com o sociólogo Karl Marx, o “feitichismo de mercadoria” é o ato de comprar sem existir necessidade, mas por uma felicidade fantasiosa e passageira, muitas vezes induzidas por pessoas que trabalham com a internet. Prova disso, é que segundo uma máteria publicada pelo site G1, 78% dos jovens brasileiros só possuem determinados produtos, porque foram influenciados pelos denominados “blogueiros”. Dessa forma, é evidente que parcela expressiva da população, em especial os jovens, são vulneráveis ao consumo compulsivo.

Em segunda análise, é fundamental citar a perda da capacidade de expressão, que consiste no fato de o indivíduo perder a sua autonomia ao se ligar à era digital. De acordo com o psicólogo Solomon, em sua teoria da “conformidade cultura”, uma pessoa que utiliza as redes sociais é exposta ao comportamento de manada. Nesse contexto, tal preceito explica que o cidadão perde o pensamento individual e junta-se à massa coletiva subordinando as suas opniões e seus interesses até mudar completamente o jeito de agir e pensar. Assim, é possível perceber que, além de incitar o ato de consumir de forma exagerada, os influenciadores inserem os cidadãos à chamada “sociedade de manada”.

Portanto, para amenizar essa problemática, é necessário que o Governo Federal, em conjunto com o Ministério da Cidadania, por intermédio de aplicações de capitais, crie campanhas, em aliança com agentes públicos e privados, a fim de esclarecer o uso consciente da internet e, dessa forma, diminiur o índice de pessoas que se identificam com a teoria do ‘feitichismo de mercadoria’, proposta por Marx. Além disso, o Ministério da Educação deve criar políticas públicas para as escolas brasileiras, com o intuito de incentivar as crianças e adolescentes a desenvolverem o senso crítico e, assim, não subordinarem as suas ideias, como acontece na teoria do “efeito manada”, escrita por Solomon. Feito isso, será possível alcançar a sociedade utópica de Thomas Moore.