Influenciadores digitais e seu impacto nas decisões de consumo

Enviada em 22/08/2021

No filme “Matrix”, das irmãs Wachowski, é apresentado um mundo “fake” controlado por um sistema inteligente e artificial que cria a ilusão de um mundo real, no qual se manipula a mente das pessoas. De forma análoga, no espaço virtual brasileiro, diversos influenciadores digitais manipulam usuários, uma vez que vendem a ideia de uma vida perfeita. Nesse sentido, é preciso analisar a expansão de uma sociedade consumista com o surgimento dos influenciadores.

Convém ressaltar, diante desse cenário, o desenvolvimento de um mercado virtual que transformou os padrões de consumo da sociedade. Ademais, diversas empresas identificaram o setor digital como uma forma fácil de vender seus produtos, já que 70% da população brasileira está conectada à internet, de acordo com uma pesquisa do TIC Domicílios. Aliás, isso encontra respaldo em Manuel Castells, segundo o qual a revolução tecnológica provocou a globalização das atividades econômicas, de modo que a rede faz parte da vida dos indivíduos e a comunicação é o centro. Assim, essa globalização provoca uma modificação nos padrões de consumo, visto que nos dias atuais, existe a facilidade de comprar ou ter acesso a um produto, principalmente, com o surgimento dos influenciadores digitais. No entanto, esses influenciadores auxiliam empresas a captarem dados e estimulam os usuários a compra, o que gera o consumismo.

Cabe mencionar, também, a tentativa das pessoas de se encaixarem nos padrões estipulados pelos “influencers” como um entrave a ser superado. É preciso dizer que muitos, dos quais utilizam as redes sociais diariamente, passam por um processo de massificação, pois acompanham não só influenciadores mas também pessoas que foram influenciadas, e quando elas não possuem os produtos, corpo ou vida dessas pessoas se sentem desconfortáveis. Segundo Lipovetsky, em seu conceito de “felicidade paradoxal”, a felicidade é uma rede complexa feita de facilidade-dificuldade, em que as condições às aspirações individuais são satisfeitas pelo mercado. Nessa perspectiva, os usuários sempre buscam a sua felicidade através do consumo, principalmente, quando se sentem iguais aos “influencers” que acompanham. Logo, essas pessoas se tornam alienadas em busca dessa “felicidade paradoxal” e se tornam vítimas da sociedade do consumo.

Infere-se, portanto, a necessidade de medidas para alterar esse cenário. Nesse sentido, cabe ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações, gerenciar uma campanha, através de publicações nas principais redes sociais como - Instagram, Facebook, Twitter e Tik Tok-, sobre o consumo na internet e suas consequências, visando a redução do consumismo. Desse modo, os usuários deixariam de viver em uma ilusão de um mundo real como na produção das irmãs Wachowski.