Influenciadores digitais e seu impacto nas decisões de consumo
Enviada em 22/08/2021
Com o advento da Revolução Tecnocientífica, a internet passou a cumprir um papel eminente nas dinâmicas socioeconômicas do mundo hodierno, mormente no que tange às redes sociais, plataformas digitais de interação, as quais passaram a ditar novos padrões de socialização e, consequentemente, de comercialização de bens e serviços. Surgem, assim, os “influenciadores digitais”, pessoas com ampla visibilidade que, de múltiplas formas, influenciam seus muitos seguidores, sobretudo no sentido de adquirir mercadorias, causando um sentimento de necessidade e exponencializando o consumismo, traço marcante da sociedade brasileira. Dentro desse contexto, é pertinente destacar a natureza capitalista de tal fenômeno, bem como a precariedade da educação financeira no Brasil.
Em primeira análise, é imperioso ressaltar que a tendência de influenciadores digitais representa a nova face sob a qual a manipulação em massa inerente ao capitalismo faz-se presente na sociedade contemporânea. Nesse sentido, tem-se que a influência de personalidades virtuais sobre os hábitos de consumo é parte do que Karl Marx, filósofo e economista alemão, chama de “consumo alienado”, em que necessidades são criadas artificialmente nos indivíduos, primordialmente pelos meios de comunicação em massa, o que os leva a consumir de forma exagerada, na busca de satisfazer desejos que não são genuinamente seus. À luz desse pensamento, é possível concluir que a alienação gerada pelos influenciadores digitais não é exclusividade do mundo virtual, e sim uma nova forma de se reproduzir uma dominação que está no cerne do sistema capitalista e que há décadas o sustenta.
Outrossim, um fator que contribui em larga escala à formação de indivíduos mais suscetíveis aos apelos consumistas de influenciadores é a escassez de uma educação financeira efetiva nas escolas brasileiras. Isso porque, ainda que essa disciplina conste na Base Nacional Comum Curricular e seja, portanto, direito de todos os estudantes brasileiros, ela ainda não faz parte da realidade acadêmica da maioria dos cidadãos. Em decorrência disso, um grande número de jovens chega à vida adulta sem instruções sobre a administração adequada da vida financeira, acabando por tornar-se alvos fáceis para ferramentas de manipulação que buscam incentivar o consumo irresponsável e em demasia.
Dado o exposto, faz-se mister que a escola, aliada à família, primordiais espaços de socialização e construção valorativa do ser social, estimule, desde a tenra idade, o desenvolvimento de um senso crítico, por meio do abundante incentivo à leitura crítica e à interpretação racional da realidade e dos mecanismos de alienação, a fim de formar indivíduos conscientes dos limites do consumo e, logo, menos vulneráveis à manipulação exercida por influenciadores. Ademais, cabe ao Ministério da Educação aprofundar os investimentos em educação financeira pública, ampliando sua abrangência.