Influenciadores digitais e seu impacto nas decisões de consumo

Enviada em 22/08/2021

Conforme a filósofa Hannah Arendt escreveu, no século XX, em seu livro “A condição humana”, o poder público não é, nem deve ser, propriedade de um só indivíduo, mas, pelo contrário, da coletividade. Entretanto, no Brasil, infelizmente, o patrimonialismo permeia o âmbito da política e da economia nacionais, dificultando a efetivação de direitos, principalmente os que se referem às garantias sociais, em particular, à saúde, que não se apresenta plenamente efetivada nas terras tupiniquins devido a diversas razões, dentre as quais se enfatizam os impactos gerados pelos influenciadores digitais. A partir disso, é gerado um déficit na saúde pública do país pela falta de atuação de uma parcela da sociedade, apenas espectadora, e pela escassez de estímulos financeiros, por parte do governo.

Sob essa ótica, é necessário destacar que um grupo significativo de cidadãos comuns não está engajado no bem-estar social e não se interessa em conhecer as dificuldades enfrentadas pelos seus compatriotas, dentre elas, a indicação de mercadorias maléficas para a saúde, feita por influenciadores digitais que trocam a divulgação por um retorno financeiro. Tal comportamento egoísta é explicitado pelo escritor Lima Barreto na citação irônica “O Brasil não tem povo, tem público”, presente na “Revista Careta” de 1922, evidenciando que a maioria da população se apresenta apenas espectadora das adversidades do dia a dia. Nesse sentido, tamanha ausência de participação fica evidente ao passo que indivíduos influenciam outras pessoas a adquirirem produtos passíveis de fazerem mal à saúde, sem alertarem o consumidor, dessa forma, contribuindo para a fragilização da saúde brasileira.

Ademais, é notória a incapacidade do governo em promover políticas públicas que visem à proteção do bem-estar brasileiro. Consequentemente, o Estado se omite do seu dever, visto que, apesar da Constituição de 1988 garantir a saúde a todos os cidadãos, a não elucidação dos possíveis ricos de produtos divulgados nas redes sociais, impede que esse direito seja usufruído por todos os cidadãos. Isso ocorre em razão da ausência de verba pública destinada ao esclarecimento da sociedade sobre a importância de pesquisar acerca das contraindicações do produto antes de adquiri-lo, já que boa parte dos recursos financeiros são destinados em prol de regalias ao poderio governamental. Logo, sem um alerta aos consumidores, o direito à saúde não será alcançado de forma plena.

Portanto, cabe ao Estado investir na elucidação da população, por meio de um projeto de lei entregue à Câmara dos Deputados, a fim de permitir a veiculação de campanhas televisivas que estimulem os cidadãos a serem mais ativos na resolução de problemas da sociedade, como também a criação de um site no qual consumidores poderão opinar e alertar sobre produtos divulgados nas mídias sociais. Desse modo, garantindo que a realidade do país seja mais convergente com os dizeres de Arendt.