Influenciadores digitais e seu impacto nas decisões de consumo

Enviada em 22/08/2021

Indubitavelmente, grande parte sociedade contemporânea encontra-se imersa em um sistema capitalista. Diante disso, Karl Marx, filósofo alemão, defende que a valorização do mundo das coisas e do mundo humano acontece de maneira inversamente proporcional. Nesse sentido, os influenciadores digitais colaboram com esse apreço ao mundo material, visto que possuem certa influência nas decisões do público que os acompanha. Entretanto, essa influência pode acarretar na formação de uma sociedade alienada e consumista.

Sob esse viés, a ascensão tecnológica, corolário da Segunda Revolução Industrial, possibilitou o estreitamento do contato entre indivíduos. Um exemplo dessa aproximação são as redes socias. Por meio delas, as pessoas compartilham ideias e estilos de vida, ganhando visibilidade e aumentando seu grau de influência. Nesse sentido, as ações de influenciadores colaboram com a sensação de que o consumo resolve qualquer problema. Esse fato corrobora com a alienação social, pois impede que os indivíduos desenvolvam um pensamento crítico e afasta-os da realidade. Dessa forma, o público torna-se dependente do influenciador, buscando seus conselhos até para tomar as mais simples decisões.

Em segunda análise, muitas vezes os influenciadores incentivam o consumo. Com isso, percebe-se que o consumismo faz-se presente desde a ascensão do capitalismo. Contudo, a compra excessiva não possui consequências positivas. Um exemplo é a crise de 1929, quando norte-americanos gastaram todos seus capitais sem necessidade, até que a oferta sobressaiu-se sobre a procura, tornando os preços exorbitantes, o que resultou em uma onda de pobreza no país. Atualmente, influenciadores digitais instigam seu público, por meio de propagandas tentadoras, a adquirirem produtos e serviços. Diante disso, os indivíduos acabam comprando coisas que não necessitam, assim como em 1929. Dessa forma, constrói-se um carrossel vicioso e infinito de compras e gastos, tornando o consumismo cada vez mais preocupante.

Portanto, são necessárias mudanças para que as ações de influenciadores digitais não acarretem na alienação e no consumismo. Sendo assim, cabe aos influenciadores compartilharem produtos de forma menos manipuladora, deixando claro que os materiais em questão são apenas dicas, para que o público não veja-os como necessidade. Além disso, a mídia pode divulgar propagandas que alertem sobre dos riscos do consumo excessivo, como forma de conscientizar os telespectadores. Outrossim, cabe a cada indivíduo estabelecer um filtro acerca das propagandas compartilhadas nas redes socias, para que ocorra a diferenciação entre vontade e necessidade. Somente quando o mundo das coisas deixar de ser o principal, o mundo humano estará sendo valorizado, assim como defende Marx.