Influenciadores digitais e seu impacto nas decisões de consumo
Enviada em 22/08/2021
A partir da segunda metade do século XX, a Revolução Técnico-Científico-Informacional proporcionou o aprimoramento das tecnologias de comunicação, de modo a alterar profundamente os hábitos de consumo na sociedade contemporânea. Nessa perspectiva, o crescimento das redes sociais permitiu a popularização de uma nova profissão: a de influenciador digital. No entanto, a atribuição publicitária dada aos chamados “influencers” apresenta como consequência a manipulação dos hábitos de consumo do público e propagação da superficialidade. Logo, urge a adoção de medidas com o fito de tornar a experiência digital mais saudável a todos os seus usuários.
A princípio, a ausência de regulamentação a respeito do marketing digital permite que os consumidores de conteúdo das personalidades digitais sejam, com frequência, influenciados negativamente. A respeito desse assunto, o conceito de “Indústria Cultural”, dos filósofos alemães Theodor Adorno e Max Horkheimer, alude à produção de informação em massa, permitindo a manutenção do pensamento dominante. Nesse sentido, os influenciadores digitais passaram a ser utilizados pelas empresas como ferramentas publicitárias de aproximação com o público, na medida que induzem determinados comportamentos aos indivíduos com facilidade, de forma a promover a padronização do consumo. Em conclusão, o ensino a respeito do uso das redes faz-se necessário.
Ademais, a propagação de informações sem credibilidade pelos influenciadores contribui para a disseminação de práticas nocivas para a qualidade de vida da população. Sob essa ótica, o sociólogo Zygmunt Bauman, em sua obra “Modernidade Líquida”, desenvolve a noção de “lógica do consumo”, na qual defende que os indivíduos, no cenário hodierno, são fortemente analisadas não por suas ações, mas por aquilo que consomem. Diante desse quadro, os “influencers” agem de modo a favorecer o caráter superficial do mundo moderno, na medida em que propagam estilos de vida inalcançáveis. Por conseguinte, verifica-se o crescimento de hábitos de consumo altamente prejudiciais ao meio ambiente, devido a constante substituição e descarte de objetos não mais considerados em “tendência”.
Portanto, é imprescindível a redução dos impactos negativos gerados pelas personalidades digitais. Mediante os fatos expostos, cabe aos órgãos responsáveis pela educação em cada país atuar no ensino do uso consciente das redes. Para tanto, aulas multidisciplinares de Sociologia e Biologia devem ser realizadas nas instituições de ensino - assim como palestras para os pais e responsáveis - a respeito da importância da verificação crítica das informações encontradas na internet, além dos prejuízos do consumo excessivo, a fim de impedir a possível manipulação dos usuários por influenciadores digitais. Sendo assim, haverá uma melhora na qualidade de vida de todos os cidadãos.