Influenciadores digitais e seu impacto nas decisões de consumo
Enviada em 22/08/2021
A série Black Mirror, no episódio “Nosedive”, aborda a quebra da autonomia crítica das pessoas através de influenciadores digitais, fato que, para a protagonista Lacy, representou uma manipulação ideológica da própria personagem para uma tendência consumista. De maneira análoga, no Brasil, percebe-se os impactos negativos de pessoas na internet em relação às decisões de consumo, uma vez que se cria uma idealização ilusória de satisfação absoluta através de propagandas. Diante dessa perspectiva, a inserção de uma “indústria cultural” na sociedade aliada ao sentimento humano de atribuir um sentido à vida, sustentam as razões para o entrave em questão.
Em princípio, a produção e a imposição de hábitos de fins capitalistas em sociedade rompem a autonomia humana. Nessa perspectiva, o sociólogo alemão Theodore Adorno, defende que o uso das mídias digitais por influenciadores de modo a incentivar o consumo, representa um padronização comportamental de uma população. Nesse sentido, os indivíduos ao se depararem com inúmeros anúncios de produtos na internet associados às pessoas as quais seguem, por meio da idealização, renunciam , mesmo que de modo implícito, o seu senso crítico para avaliar a verdadeira necessidade de tal recurso, fato que favorece o consumo exacerbado e , na maioria das vezes, desnecessário. Por isso, consequentemente, mesmo apesar dos “influencers” conseguirem instigar os anseios capitalistas da população, mais uma vez isso significará uma derrota para a humanidade devido à perda da análise crítica da vida e do controle de hábitos pessoais. Assim, evidencia-se uma causa essencial para o tema.
Ademais , o sentimento natural humano pela busca de um sentido para a sua existência, favorece a suscetibilidade a manipulações tendenciosas. Sob este viés, o sóciologo alemão Martin Heidegger afirma que, justamente por desconhecer sua origem, os indivíduos procuram alguma finalidade para um evento misterioso: a vida. Assim, as mídias sociais ao perceberem esse fenômeno, inseriram em suas propagandas, através de influenciadores, elementos os quais associassem as mercadorias a supostos estilos de vida ideais para atingir finalmente uma resposta sobre o significado da existência. Logo, o consumo é incentivado de maneira natural, fato que elucida mais uma razão crucial para o problema.
Portanto, a necessidade da redução do tendencionalismo comercial por “digital influencers”. Para isso, cabe ao Ministério da Comunicação - principal órgão da veiculação audiovisual - a reformulação do regulamento sobre a publicação publicitária via internet que, através de especialistas em publicidade e progapanda, será responsável pela contenção do viés capitalista e idealizador de anúncios a fim de promover uma reflexão crítica à sociedade sobre a necessidade consumista real. Por fim, pessoas como Lacy não terão sua autonomia corrompida, implicando em melhores decisões de consumo.