Influenciadores digitais e seu impacto nas decisões de consumo

Enviada em 22/08/2021

Os comportamentos sociais sempre foram frutos de influência externa. Assim, com o surgimento do capitalismo, foi imposto um comportamento social para sustentar e impulsionar o mercado pelos próximos séculos: o consumismo. Atualmente, com a ascensão das redes sociais, o consumismo foi intensificado pela ação dos influenciadores digitais, que impactam positiva ou negativamente as decisões de consumo do público, ocasionando a banalização de procedimentos estéticos e o processo de “coisificação”.

Incentivada a partir da exaltação constante de um modelo corporal estabelecido como meta a ser alcançada a qualquer custo, a banalização de procedimentos estéticos é um grave problema associado ao impacto dos influenciadores sobre as decisões de consumo. Com publicações tendenciosas e “romantizadas”, muitas figuras públicas femininas expõem os procedimentos cirúrgios a que se submetem com grande irresponsabilidade, ocultando as consequências e os cuidados necessários de uma cirurgia extremamente invasiva. Com isso, é evidenciada uma realização massificada de procedimentos estéticos invasivos dentre as jovens que acompanham essas influenciadoras, como a lipo lad - lipoaspiração de camadas superficiais de gordura para garantir a definição muscular.

Além disso, outro problema associado aos influenciadores é o processo de “coisificação” - anulação do indivíduo em detrimento da exaltação de bens materiais por sua distinção social. Esse processo está diretamente relacionado à imagem criada artificialmente nas redes sociais, na qual a felicidade retratada está sempre associada a algum bem. Dessa forma, o indivíduo sente-se “pressionado” a comprar os produtos constantemente relacionados a um grupo ou status social privilegiado, anulando sua identidade e sua individualidade em prol de uma felicidade idealizada. Um exemplo desse comportamento, é o adquirimento de celulares de última geração por pessoas que não possuem grande poder aquisitivo, mas que optam por se endividar para se sentir parte de um grupo privilegiado.       Portanto, é extremamente importante analisar e buscar formas de solucionar os problemas da banalização de procedimentos estéticos e a “coisificação”, trazidos pelo impacto negativo dos influenciadores sobre as decisões de consumo. Para isso, é necessário que o instagram crie instrumentos de fiscalização dos conteúdos publicados pelas figuras públicas e, em associação ao Ministério da Saúde, sinalizadores automáticos em publicações acerca de procedimentos cirúrgicos para alertar sobre a seriedade do assunto, juntamente a recomendações de cautela - assim como foi feito para o Covid-19.