Influenciadores digitais e seu impacto nas decisões de consumo

Enviada em 22/08/2021

1984 é um romance escrito por George Orwell, que tem, como proposta, demonstrar um futuro distópico onde o Estado impõe um regime extremamente totalitário sobre a sociedade, por meio da vigilância do Grande Irmão, imposta pelo partido (Ingsoc), onde ninguém escapa de seu poder. Tendo isso em vista, um paralelo pode ser traçado entre a atual realidade dos ‘‘influencers digitais’’ dentro do mercado consumidor e o contexto do livro, no qual, as tendências difundidas pelos influenciadores se tornariam uma cultura de massa, com a finalidade de controlar o mercado econômico e de consumo, podendo gerar alguns entraves na sociedade, como o consumo exacerbado e, respectivamente, danos ao meio ambiente.

A priori, é importante pontuar o papel que os influenciadores tem para fomentar o consumo excessivo em larga escala. De acordo com a teoria do ‘‘fetichismo da mercadoria’’, imposta pelo sociólogo Karl Marx, o ato de comprar pode ser realizado não apenas pela necessidade real de compra, mas por uma felicidade passageira e fantasiosa. Nesse contexto, fica nítido que o papel dos ‘‘digital influencers’’ contribui muito para as decisões de compra de uma determinada faixa etária consumidora: uma vez que as redes sociais são a principal fonte, principalmente para públicos mais novos ou vulneráveis.

Ademais, também é importante salientar os efeitos negativos e possível degradação do meio ambiente por meio do hiperconsumismo somado a influência digital. De acordo com o Panorama de Resíduos Sólidos no Brasil, em 2018, nosso país produziu cerca de 79 milhões de resíduos sólidos urbanos, um número bem considerável. Assim sendo, essa produção exagerada de lixo - gerada principalmente pelo descaso da população - reflete, também, a despreocupação dos influenciadores quanto a importância ambiental em seus veículos de comunicação, e posteriormente, acabam se tornando, inconscientemente, vetores para a produção de resíduos em larga escala.

Portanto, faz-se necessária uma proposta de mudança. A influência da mídia dentro da problemática poderia ser usada para direcionar a informação a respeito da quantidade de lixo gerada, e suas ações no meio ambiente. Além disso, veículos independentes - como agências de publicidade, marketing e propaganda - poderiam utilizar da visibilidade para alertar sobre o consumo excessivo e danoso, e utilizar as redes sociais como principal fonte de disseminação de conteúdo.