Influenciadores digitais e seu impacto nas decisões de consumo

Enviada em 22/08/2021

No livro “Vigiar e Punir”, do filósofo contemporâneo Michel Foucault, o poder é representado como uma rede complexa, que se distribui por todas as relações sociais. Segundo a análise do autor, todos os indivíduos apresentam uma parcela de influência sobre o outro. Entretanto, com o advento das mídias sociais e a ascensão da força dos influenciadores digitais, é possível observar, muitas vezes, uma reconfiguração desarmônica das relações de poder na sociedade.

Em primeira instância, é imprescindível compreender que os estímulos externos são essenciais e inevitáveis para a construção plena dos cidadãos. Segundo a filosofia aristotélica, o homem é caracterizado como um ser político, isto é, necessita do convívio com seus semelhantes para se realizar. De maneira análoga, na contemporaneidade, a interação entre os internautas e os criadores de conteúdo nas plataformas digitais é essencial para a disseminação e troca de informação e, consequentemente, contribui para a formulação da opinião de um indivíduo. Nota-se, por outro lado, que os consumidores não realizam uma reflexão crítica sobre o conteúdo que consomem, de forma que passam a absorver os valores disseminados e a almejar bens materiais e padrões estéticos somente por influência externa.

Em segunda instância, vale ressaltar que a profissão de influenciador é algo novo, não existindo ainda uma legislação que regule todos âmbitos desse novo negócio. É comum, por exemplo, que influenciadores recebam dinheiro para vender produtos e até mesmo ideias, mesmo que não concordem com a ideologia ou com a qualidade daquilo que divulgam. Assim sendo, seus princípios são baseados nos interesses de mercado, no poder de compra e venda e na criação de conteúdos publicitários, não possuindo, necessariamente, implicações morais. Os jovens, os quais ainda estão passando pelo processo de formação, são os mais afetados pela problemática, já que são facilmente influenciados.

Infere-se, portanto, que devido ao papel excepcional dos influenciadores digitais na rede atual de poder, torna-se necessário garantir um uso mais ético e consciente de sua influência. Cabe ao Legislativo, órgão responsável pela elaboração das leis, juntamente com as próprias plataformas midiáticas, regulamentar e estabelecer limites por meio de termos para a utilização mais ética e responsável das redes sociais.