Influenciadores digitais e seu impacto nas decisões de consumo
Enviada em 25/08/2021
Desde a Grécia Antiga, os indivíduos buscavam inspirações no modo de viver dos cidadãos mais famosos da Pólis, limitando suas replicações de hábitos e costumes apenas pela condição financeira, questão que foi solucionada na Revolução Industrial do século XIX, pois os meios de produção permitiram a popularização de utensílios, até então, restritos às celebridades. Nesse sentido, nota-se, contemporaneamente, que os influenciadores digitais induzem, levianamente, o consumismo dos seus seguidores. Tal fato se justifica porque muitos influenciadores são financiados por empresas, além disso, a falsa proximidade com o influenciador faz o influenciado confiar erroneamente nessa relação.
Primeiramente, é preciso elucidar que os grandes produtores de conteúdos virtuais recebem patrocínio de múltiplas empresas para anunciar seus produtos, o que ocorre, em muitos casos, independentemente da qualidade das mercadorias ou serviços. Segundo o Conselho Executivo de Normas Padrão (Cenp), em 2018, o investimento publicitário na internet brasileira foi de 2,59 bilhões de reais, representando 20% do total investido. Logo, percebe-se que o investimento em marketing digital é muito representativo, potencializando, por meio de influenciadores, o consumismo desenfreado de todo tipo de produto, como por exemplo, serviços de investimentos na bolsa de valores com rápido retorno, o que é sabido pelos seus ofertantes que é uma falsa ilusão.
Outrossim, pode-se notar que a relação entre influenciador e influenciado está em um patamar subjetivo, pois o consumidor de conteúdo, pelas vantagens das redes sociais, escolhe seguir o indivíduo que mais o representa em seu modo de viver, passando a depositar mais confiança no influenciador por se ver como igual. De acordo com o filósofo Leandro Karnal, a representatividade rompe laços de desconfiança entre indivíduos desconhecidos. Nessa lógica, fica evidente que o consumidor do conteúdo confia precocemente nos influenciadores, vetando a possibilidade de uma leitura crítica das intenções publicitárias, acarretando em compras desnecessárias.
Desse modo, faz-se necessário criar medidas para assegurar o relacionamento idôneo dos influeciadores com os seus influenciados. Para isso, será necessário que o Ministério das Telecomunicações, por meio de palestras virtuais, conscientize os criadores de conteúdo digital da importância da ética na publicidade de mercadorias, para que, assim, haja transparência nos realcionamentos entre empresas, ofertantes e consumidores. Ademais, é necessário que o Ministério da Educação intensifique o ensino de filosofia nas escolas, dessa maneira, aumentando o senso crítico de nossos cidadãos quanto ao conteúdo que consomem. Feito isso, o Brasil poderá evoluir para uma sociedade em que será possível recomendar mercadorias, sem, no entanto, visar unicamente o lucro.