Influenciadores digitais e seu impacto nas decisões de consumo

Enviada em 27/08/2021

No livro 1984, do escritor inglês George Orwell, contextualiza-se a história de um universo distópico, onde a sociedade é manipulada a fim de garantir os interesses de uma aristocracia. De forma condizente ao cenário retratado, vê-se que, no Brasil, cria-se um cenário de dominação, à medida em que pessoas influentes moldam, negativamente, o consumo de massas. Tal cenário é comprovado pela falta de transparência no patrocínio de anúncios, junto à criação de necessidades irreais de consumo.

Em primeira análise, é pertinente considerar o pensamento do escritor francês Honoré de Balzac, o qual considera que “Por detrás de uma grande fortuna há um crime”. Sob essa perspectiva, pode-se inferir que princípios éticos tendem a ser ignorados, quando esses se tornam adversos a uma possibilidade de enriquecimento. Dessa forma, constata-se que influencers, com a finalidade de receberem mais verba, podem omitir o fato de estarem sendo patrocinados para divulgar certo produto, ao propósito de passar uma imagem, mesmo que falsa, de apreciação a algum produto. Portanto, fica evidente que pessoas podem ser, gravemente, levadas a consumir produtos de baixa qualidade ou eficácia, a exemplo de remédios e produtos de saúde.

Em segunda análise, de acordo com o filósofo alemão Karl Marx, o dinheiro aliena e domina a existência do ser humano, que tende a adorar essa característica do capital. Sob essa ótica, torna-se claro que, junto à distorção da realidade que redes sociais possibilitam, indivíduos influentes podem gerar, nos seus seguidores, uma irreal urgência para a aquisição de produtos, na esperança de adquirirem uma vida “perfeita” semelhante, supostamente, a do “influencer”. Dessa maneira, é cristalino que o comportamento supracitado suscetibiliza a criação de um comportamento consumista compulsivo.

Diante do exposto, faz-se imperiosa a mitigação do entrave pelo Estado. Com o fito de reduzir o impacto negativo que influenciadores têm no consumo, é necessário que o Ministério das Comunicações, por meio de um projeto de lei, exija dos que são pagos para disseminar determinado produto a divulgação pública, nos meios midiáticos que utilizam, do fato de estarem sendo patrocinados. Essa prática deve ser acompanhada do “feedback” desse programa pela população, com a intenção de maximizar a visualização desses dados. Somente assim, tornar-se-á possível a consolidação de uma plena república democrática de direito.