Influenciadores digitais e seu impacto nas decisões de consumo
Enviada em 05/09/2021
A Escola de Frankfurt, composta por filósofos como Theodor Adorno, expõe que os meios de comunicação de massa vendem aspectos culturais como produtos de consumo e, por conseguinte, produzem uma massificação de gostos e padrões. Hodiernamente, os influenciadores digitais contribuem, via redes digitais, para essa venda de ideologias como produtos, pois as decisões de consumo são, muitas vezes, baseadas nas propostas dessas figuras sociais. Deste modo, tais atores de influência impactam na aquisição de mercadorias e nas mudanças de estilo de vida de indivíduos consumidores.
Primeiramente, o consumo de determinados bens está associado ao trabalho exercido por influenciadores. De acordo com a Escola de Frankfurt, a Indústria Cultural, assim como a aquisição genérica de mercadorias, impede o desenvolvimento de consumidores autônomos, conscientes de suas próprias decisões. Segundo o site Metrópoles, a rede social Instagram contabilizou mais de 12 milhões de publicações patrocinadas por marcas, isto é, voltadas para a venda de itens. Esses posts causam impactos sobre a vida de usuários de plataformas online, visto que, estimulam o consumo massificado e, consequentemente, a escassa autonomia sobre obtenções e compras.
Outrossim, as práticas e os ideais aplicados na vida de diferentes pessoas também estão sujeitos à atuação influenciadora virtual. Por apresentarem uma exacerbada qualidade de vida, os influenciadores são vistos como modelos de vivência e pensamento e, assim, introduzem padronizações de condutas. Similarmente, Rousseau, filósofo contratualista, dizia que o modismo fere a liberdade de pensar. Isto posto, percebe-se que o papel dos influenciadores corrobora um cenário negativo em que concepções e hábitos são modificados, a fim de haver um padrão considerado ideal.
À vista disso, urge que medidas sejam tomadas para que aos impactos negativos nas decisões de consumo sejam minimizados. Sendo assim, agentes midiáticos devem promover a realização de campanhas e propagandas que mostrem a importância de consumir diferentes produtos, com o objetivo de fomentar a autonomia sobre compras e interesses. Ademais, devem incentivar a pesquisa, com o intuito de haver a formação de um entendimento e uma conceituação própria de vida e de valores pela população. Tudo isso por meio de verbas públicas direcionadas à cultura. Desta forma, espera-se que os influenciadores digitais possam atuar sem a promoção de massificações culturais, desempenhadas pelos meios de comunicação, conforme a Escola de Frankfurt, nas ações pessoais e no consumo.