Influenciadores digitais e seu impacto nas decisões de consumo

Enviada em 05/09/2021

A série americana “Black Mirror”, em um de seus episódios, narra a trajetória de uma mulher que, influenciada pelo padrão de vida perfeito mostrado nas redes sociais, decide mudar diversos aspectos de sua vida para se encaixar nesse ideal. Embora fictíticio, tal cenário se assemelha à realidade contemporânea, na qual muitas pessoas, por meio dos influenciadores digitais, são impulsionadas a consumir determinados produtos e serviços. Nesse contexto, são ascendentes imbróglios tangentes à omissão estatal, incentivo ao consumismo e participação do público infantil.

Em primeira análise, conforme ideário do filósofo Thomas Hobbes, o Estado é responsável por garantir bem-estar social. Entretanto, a ausência de regulamentação da profissão de digital influencer atua como um entrave para a efetivação desse direito. Em razão disso, as campanhas publicitárias realizadas por esses perfis influenciadores das redes sociais não são fiscalizadas de forma adequada. Esse fato é alarmante, pois possibilita que as empresas, em busca de lucro, invistam nesse mecanismo de propaganda para promover produtos perigosos, como, por exemplo, os suplementos alimentares.

Ademais, segundo Kant, o homem deve utilizar a razão para alcançar seu estado de maioridade e se tornar livre de influências alheias. Contudo, percebe-se que o ambiente virtual não é favorável para uso desse artifício, haja vista que nesse meio as pessoas são bombardeadas por estratégias de marketing e propagandas massivas. Logo, são incentivadas a pensar que ao consumir o produto oferecido, atingirão o mesmo padrão estético e estado de felicidade que o influenciador digital aparenta. Essa conjuntura, no entanto, reforça o consumismo exarcerbado, o qual beneficia as empresas e seus divulgadores em detrimento do bem-estar dos consumidores e preservação do meio ambiente.

Além disso, entra em questão a participação infantil nessa problemática, visto que a sua inserção nas redes sociais é cada vez mais precoce. Nesse sentido, assim como os adultos, as crianças e adolescentes são alvo de campanhas de publicidade digital que incitam a sensação de necessidade de brinquedos, jogos e roupas. Esse quadro é preocupante, pois afeta as noções de consumo ainda em desenvolvimento desse público e sinaliza a necessidade de intervenção nessas plataformas da internet.

Portanto, cabe ao Estado regulamentar e fiscalizar a atuação dos influenciadores digitais. Para isso, deve criar legislação específica que disponha sobre requisitos necessários e normas a serem seguidas para se tornar um profissional da área. Outrossim, deve estabelecer a criação de um Conselho Profissional que fiscalize as publicidades realizadas. Essa intervenção estatal terá como objetivo normatizar o comércio digital, a fim de evitar propagandas nocivas e abusos contra usuários do público adulto e infantil. Por meio disso, será possível proteger a intergridade dos usuários nas redes sociais.