Influenciadores digitais e seu impacto nas decisões de consumo

Enviada em 01/09/2021

Segundo o sociólogo espanhol Manuel Castells, no capitalismo informacional, as tecnologias de informação e comunicação (TICs) conectam as pessoas e formam uma sociedade em rede. Em tal sociedade, tem-se uma triste ocorrência: devido ao direcionamento de figuras populares na internet, decisões individuais tendem a tornar-se frívolas, e a consumação, a se concentrar apenas em grandes empresas. A fim de mitigar essa mazela, é preciso analisar tais questões e suas implicações.

Em primeiro lugar, é necessário compreender o esvaziamento das escolhas no processo em questão. Acerca disso, sabe-se que os digital influencers - aqueles que influenciam um grupo de pessoas, seja para adquirir um produto ou acreditar em uma ideia - têm poder de moldar as decisões de consumo da sociedade, visto que, sendo pagos para isso, eles divulgam e enaltecem produtos, o que torna-os cobiçados, e, assim, comprados pelos seguidores desses indivíduos. Tal ocorrência é explicada pelo sociólogo Max Weber: segundo ele, ações assumidas por alguns (no caso, os influencers), ao serem difundidas, tornam-se ordinárias no corpo social. Assim, os desejos deixam de ser algo particular, e, com isso, fica evidente a necessidade de mudança.

Outrossim, cabe apontar, também, a coibição de pequenas marcas como consequência da mazela. Acerca disso, os filósofos Theodor Adorno e Max Horkheimer conceituaram como indústria cultural os padrões culturais produzidos e perpetuados pelas classes dominantes, que influem atitudes. Essa concepção é vista atualmente: dado o grande alcance dos influencers, suas publicações patrocinadas (chamadas de “publis”) são caras e inacessíveis às companhias menores; logo, apenas grandes empresas são veiculadas nelas. Isto posto, o consumo é direcionado para essas, e pequenas marcas tendem a ser inibidas. Com isso, faz-se crucial um melhor tratamento no tocante a esse ponto.

Portanto, visando um menor impacto dos influenciadores digitais nas decisões de consumo, as empresas de redes sociais, juntamente ao Ministério das Comunicações, devem promover a regulamentação das publicações patrocinadas. Isso deve ser feito por meio da elaboração de diretrizes e limites para as mídias, para fazê-las serem menos apelativas - ainda que interessantes para os usuários. Ademais, deve ser discutido um custo mínimo para as ‘publis", a fim de tornar a divulgação viável para marcas de menor porte. Desse modo, as TICs de Castells podem fazer-se saudáveis.