Influenciadores digitais e seu impacto nas decisões de consumo
Enviada em 02/09/2021
No episódio intitulado “Queda livre” da série Black Mirror é retratado uma distopia de um futuro possivelmente próximo em que o comportamento de cada indivíduo seria passível de uma nota que determinaria como cada um é visto pelos outros e os privilégios obtidos a partir desse valor. Assim como na obra cinematográfica abordada, observa-se que a ascensão de influenciadores digitais é um fenômeno global devido a cibercultura, em que uma nova cultura é criada em conjunto com a internet. Diante dessa perspectiva, cabe avaliar os fatores que favorecem esse quadro, tendo em vista dois aspectos: cultural e psíquico.
A princípio, é necessário ressaltar que a cultura consumista colabora para os influenciadores digitais e seu impacto nas decisões de consumo. Segundo os filósofos da Escola de Frankfurt - Theodor Adorno e Horkheimer - a “Indústria cultural” têm como objetivo a determinação de padrões atendendo a necessidades mercadológicas e consumistas. Desse modo, o profissional da internet torna-se influenciável pelas suas indicações, produtos adquiridos, divulgação de marcas, promovendo as empresas e conferindo credibilidade à elas. Nessa perspectiva, os notáveis da mídia são os intermediários entre a marca/produção e o consumidor/venda do produto, estimulando a engrenagem capitalista.
Ademais, é perceptível a comparação exacerbada gerada pelo veículo midiático para com as pessoas que possuem milhares de seguidores, produtos novos, dinheiro, fama, o status social desejado por muitos. A esse respeito, o sociólogo Byung Chul Han, sob o termo “sociedade do cansaço” mostra como a sociedade contemporânea é marcada pela auto cobrança, por uma vigilância interna a seguir os padrões determinados pelas redes sociais, causando doenças psicossomáticas. Sob esse viés, o impacto das redes se dá tanto no consumo como no comportamento do indivíduo pela busca incessante de uma vida ideal que não existe.
Torna-se evidente, portanto, que a cultura consumista e a comparação exacerbada à vida nas redes sociais favorecem os influenciadores digitais e os impactos no consumo. Posto isso, cabe ao Ministério da Educação, juntamente com profissionais da área da saúde, por meio de rodas de conversa e apresentação de atividades sobre os limites da internet, assim como vícios, culto ao corpo, às aparências, compras excessivas. A fim de mostrar, por meio de um estudo mais humanizado e preparado para vida real, que é preciso controle e separação quando se trata do mundo digital. Desse modo, a situação no episódio de Black Mirror poderá ser evitada.