Influenciadores digitais e seu impacto nas decisões de consumo

Enviada em 09/04/2022

A partir da terceira Revolução Industrial, a tecnologia sofreu sucessivas e significativas melhorias no sistema produtivo. Se, por um lado, essa evolução extinguiu postos de trabalho, por outro, originou profissões que dependem intrinsecamente dela, como é o caso dos influenciadores digitais. Nesse contexto, é importante analisar a razão desses profissionais impactarem na decisão de consumo e como as empresas aproveitam esse potencial.

Diante desse cenário, convém buscar a origem do poder de persuasão dos influenciadores digitais. Para isso, é válido expor a obra “Sociedade do Espetáculo”, na qual, Guy Debord critica o modo como, no sistema capitalista, as relações são regidas por imagens, isto é, parecer - e ter - é mais importante do que, de fato, ser. Nesse sentido, nota-se que a capacidade de um “digital influencer” induzir a decisão de compra deriva-se da necessidade de seu influenciado assemelhar-se com uma imagem pré-aprovada pelo corpo social, o que é possível, sob essa óptica, comprando aquilo que o influenciador diz também comprar.

Outrossim, as empresas exploram essa relação para vender seus produtos. Embora não seja novidade o uso de figuras públicas vinculadas a produtos, a estratégia ganhou nova proporção com o surgimento dos influenciadores digitais. Isso porque, devido a aproximação com o público, a publicidade ganhou uma impressão realista, como se o produto usado pelo influencer fosse uma escolha pessoal. Por esse motivo, surgiu a obrigatoriedade de sinalização de posts que contém publicidade na rede social instagram, evidenciando o poder das autoridades de internet - em conjunto com as marcas - de manipular a escolha de consumo beneficiando-se do fenômeno social descrito por Guy Debord.

Portanto, percebe-se que há uma tendência de consumo acrítico que deve ser revertida. Para tanto, cabe ao Estado, por meio do Ministério da Educação, programar um dia, no calendário escolar, voltado para campanha de consumo consciente com realização de palestra e afins, visando desenvolvimento do pensamento crítico em relação ao que é divulgado por grandes personalidades da mídia digital. Assim, espera-se a redução do consumo impulsionado unicamente pelo direcionamento dado pelos inflenciadores digitais.