Influenciadores digitais e seu impacto nas decisões de consumo
Enviada em 05/09/2021
Em seu poema intitulado “José”, Carlos Drumond de andrade traça um quadro pessimista do cotidiano por meio de uma reflexão existencial. Ao longo do texto, o interlocutor do eu lírico é repetidamente indagado com a frase " e agora, José", sugerindo-se um sentimento de quem não agiu ou perdeu a hora certa de fazê-lo. Analogamente, a fim de não cometer o mesmo erro de José, urge a necessidade de abordar sobre os influenciadores digitais e seu impacto nas decisões de consumo já que esse antagonismo é fruto da ideia de que pessoas perfeitas existem e da carência de políticas públicas viáveis. Nesse viés, torna-se fundamental a superação desses desafios, a fim do pleno funcionamento íntegro da coletividade.
Diante desse cenário, é fulcral assinalar que a ideia de que pessoas perfeitas existem é um fator impulsionador desse problema. De acordo com Djamila Ribeiro, “É preciso tirar uma situação da invisibilidade para que soluções sejam promovidas”. Porém, há um silenciamento instaurado nos impactos que os influenciadores digitais causam na decisão do corpo social, visto que as constantes postagens de influencers felizes e sobre produtos são feitas visando somente o lucro, sem se importar com a qualidade do produto, gerando consumo desregrado na população . Assim, urge tirar essa situação da invisibilidade para atuar sobre ela, como defende a pensadora.
Ademais, cabe pontuar que a carência de políticas públicas colabora para continuidade da manipulação midiática. Nesse âmbito, ganha destaque a perspectiva do sociólogo Francês Émile Durkheim, que afirma que o fato social é dotado de exterioridade, coercitividade e generalidade. Diante disso, percebe-se que o entrave em questão está imerso em um fato social, ja que o impasse existe, entretanto o corpo social muistas vezes não percebe que está sendo manipulado a consumir produtos e o Estado não age para refrear tal prática. Dessa forma, contribui ocultamente para que tal banalização continue em um ciclo vicioso, uma vez que, sem medidas eficazes de prevenção, é evidente que essa situação não será mitigada.
Depreende-se, portanto, a necessidade de se combater essa situação. Nessa perspectiva, convém ao Governo federal, responsável por políticas nacionais e abrangentes, por meio de subsídios, como por exemplo financeiros, promover a criação de disciplinas relacionadas ao senso crítico, com a finalidade de formar uma mentalidade astuta, capaz de entender que sociedade perfeita não existe e tornar o corpo social mais feliz e menos consumista. Para que o defendido por Djamila Ribeiro seja concretizado.