Influenciadores digitais e seu impacto nas decisões de consumo
Enviada em 06/09/2021
A série americana “Black Mirror”, em um de seus episódios, narra a trajetória de uma mulher que, por desejar a vida perfeita mostrada nas redes sociais, decide seguir o mesmo padrão de consumo e de comportamento dos influenciadores digitais. Embora fictício, tal cenário se assemelha à realidade contemporânea, na qual muitas pessoas, por meio das publicidades feitas no meio virtual, são impulsionadas a adquirir produtos e serviços. Entretanto, a ausência de fiscalização dessas propagandas favorece a ascenção do consumismo na sociedade e a participação do público infantil.
Em primeira análise, conforme o ideário do filósofo Thomas Hobbes, o Estado é responsável por garantir o bem-estar social. Entretanto, a ausência de regulamentação da profissão de digital influencer atua como um entrave para a efetivação desse direito. Em razão disso, as campanhas publicitárias realizadas por esses perfis influenciadores das redes sociais não são fiscalizadas de forma adequada. Esse fato é alarmante, pois possibilita que as empresas, em busca de lucro, invistam nesse mecanismo de propaganda para promover produtos perigosos, como, por exemplo, os suplementos alimentares.
Ademais, segundo Kant, o homem deve utilizar a razão para alcançar seu estado de maioridade e se tornar livre de influências alheias. Contudo, percebe-se que o ambiente virtual não é promissor para o uso desse artifício, haja vista que nesse meio as pessoas são bombardeadas por estratégias de marketing e propagandas massivas. Logo, são incentivadas a pensar que ao consumir o produto oferecido, atingirão o mesmo padrão estético e estado de felicidade que o influenciador digital aparenta. Essa conjuntura, no entanto, reforça o consumismo exarcerbado, o qual beneficia as empresas e seus divulgadores em detrimento da preservação dos consumidores do meio ambiente.
Além disso, entra em questão a participação infantil nessa problemática, visto que a sua inserção nas redes sociais é cada vez mais precoce. Nesse sentido, assim como os adultos, as crianças e adolescentes são alvo de campanhas de publicidade digital que incitam a sensação de necessidade de brinquedos, jogos e roupas. Esse quadro é preocupante, pois afeta as noções de consumo ainda em desenvolvimento desse público e sinaliza a necessidade de intervenção nessas plataformas da internet.
Portanto, cabe ao Estado regulamentar e fiscalizar a atuação dos influenciadores digitais. Para isso, deve criar uma legislação específica, que disponha requisitos necessários e normas a serem seguidas para se tornar um profissional da área. Outrossim, deve estabelecer a criação de um Conselho Profissional que fiscalize as publicidades realizadas. Essa intervenção estatal irá normatizar o comércio digital e definir multas e punições para propagandas nocivas e abusos contra o público adulto e infantil. Por meio disso, será possível proteger a intergridade dos usuários nas redes sociais.