Influenciadores digitais e seu impacto nas decisões de consumo
Enviada em 07/09/2021
No final do ano de 2017, a digital influencer e youtuber Tata Estaniecki lançou sua própria marca de sapatos femininos denominada “Louth Shoes”. Sob a vontade de se lançar no mercado com um empreendimento fixo e próprio, a influenciadora defendia a necessidade de estar atrelada à divulgação de uma marca na qual confiasse completamente. Entretanto, ao contrário de Tata, muitos influenciadores digitais vêm se mostrando antiéticos e despreocupados com os impactos de consumo que geram em seus seguidores ao expor produtos nos quais não confiam. Nesse sentido, observa-se um delicado problema que tem como causas a falta de responsabilidade social e o consumismo.
Dessa forma, em primeira análise, a falta de ética é um desafio presente no problema. Para Kant, “os indivíduos devem agir corretamente mesmo que não seja de seu interesse”. Porém, existe uma falha moral em relação aos impactos que os influencers geram nas decisões de consumo de seus seguidores, visto que, ao não confiarem na marca a qual atrelam a própria imagem, estes passam a preocupar-se somente com sua remuneração futura, expondo seus seguidores ao prejuízo e a uma sensação de desconfiança e traição. Assim, é necessário que os valores morais se tornem prioridade.
Além disso, o consumo exacerbado ainda é um grande impasse para a resolução da problemática. Segundo Zygmaunt Bauman, “o consumismo é uma forma compensatória para obter prazer”. Tal prática é visível em relação aos impactos dos influenciadores digitais nas decisões de consumo de seus seguidores, uma vez que, por estarem diariamente expostos a um calendário de divulgações e parcerias em ambientes em que buscam o entretenimento, bem como a uma relação de confiança com seus influenciadores, os indivíduos ficam expostos a uma espécie de envolvimento verbal, sendo direcionados a crer que necessitam imediatamente do produto exposto e que a marca que está sendo indicada naquele momento é a mais confiável para essa compra. Ou seja, é preciso que as pessoas busquem outras formas de satisfação para que a situação seja resolvida. Portanto, é imperativo agir sobre o problema.
Para isso, a Netflix deve criar um documentário que explicite os impactos das redes sociais e influencers na cultura do consumo compulsivo, a fim de reverter a mentalidade consumista vigente e incentivar o questionamento precedente à compra. Tal ação pode, ainda, ser divulgada no Instagram, de forma a colaborar com seus usuários, amplamente afetados pela influência e bombardeamento de produtos presente na plataforma. Paralelamente, é necessário intervir sobre a falta de responsabilidade social existente na questão. Sendo assim, a ética de Tata poderá tornar-se não uma esperança, mas sim o padrão vivenciado nas redes sociais