Influenciadores digitais e seu impacto nas decisões de consumo

Enviada em 21/09/2021

No período da Grécia Antiga, muitos filósofos foram acusados de manipular os jovens ao ensiná-los a pensar de maneira autônoma. Em contrapartida, no século XXi, o ato de influenciar pessoas tornou-se uma forma de trabalho, visto que impulsionou o interesse de empresas pelo engajamento que as web celebridades poderiam gerar para suas mercadorias. Ademais, nota-se que a sociedade tem espelhado seu estilo de pensar e agir conforme os influenciadores digitais. Sendo assim, fica evidente que há uma ausência de originalidade na população atual, o que corrobora para que o consumo de produtos e serviços ocorra descontroladamente.

Em primeiro lugar, com o advento das redes sociais, o compartilhamento de dicas e experiências corresponde ao novo sistema de propaganda adotado pelas indútrias, que, diferente do tradicional, é feito em vídeos curtos publicados na página da própria celebridade contratada. Ou seja, o influenciador tem por obrigação manipular o pensamento do público para que seja gerada uma falsa necessidade de posse sobre o produto ou serviço referido. Desta forma, ocorre o inverso do que era pregado por filósofos condenados no período socrático, pois a retirada da autonomia do indivíduo é maquiada pela  indústria através da imagem que a representa.

Outrossim, segundo Carl Jung, suíço fundador da psicologia analítica, todos nascem originais e morrem como cópias. Dito isso, percebe-se que a proximidade do influencer com seus seguidores, no meio online, faz com que se crie um vínculo entre o público e a propaganda. Contudo, ao aparecer publicamente ou em sua mídia social utilizando produtos ou serviços de uma empresa, eles despertam o interesse de grupos no consumo dos mesmos. Nessa perspectiva, o original desejo por algo torna-se na verdade uma cópia do que foi adquirido por outra pessoa, sem uma prévia reflexão de que aquilo pode ser fruto de um patrocínio, e não necessariamente de uma compra.

Conclui-se, portanto, que as decisões de consumo devem ser refletidas para que não se perca a autonomia facilmente. Então, faz-se imperativo que os influenciadores realizem suas propagandas, tradicionais ou não, de modo responsável, com intuito de que sua experiência com a utilização do produto ou serviço de uma marca seja criticada com veracidade. Com isso, a adesão dos mesmos poderá ser feita também com resposabilidade pelo público, que afirma a qualidade e satisfação para com a compra sem abrir mão da sua autonomia. Por fim, a mídia deve alertar o indivíduo sobre a imprescindível análise acerca da real importância da obtenção de uma mercadoria antes de sua aquisição. Por meio de uma reflexão socrática, o comprador tem por objetivo consumir algo conscientemente, visualizando o custo e benefício, evitando assim o descontrole de consumo.

advento das redes sociais e as novas formas de visibilidade de produtos,

a sociedade tem espelhado seu estilo de agir e pensar conforme os influenciadores digitais que compartilham dicas e experiências no meio online. Além disso, para os consumidores, gerando assim um novo sistema de propaganda.