Influenciadores digitais e seu impacto nas decisões de consumo

Enviada em 14/09/2021

A Declaração Universal dos Direitos Humanos, promulgada em 1948, prevê o direito à liberdade de ação e de escolhas como inerente a todo ser humano. Todavia, tal prerrogativa não tem se reverberado na prática, quando se observa a manipulação pelos influenciadores digitais, que se aproveitam do excesso do uso de tecnologias e da dificuldade individual, e coletiva, de se lidar com a realidade, para controlar, principalmente, as decisões de consumo. Diante dessa perspectiva, faz-se imperiosa a análise dos fatores que favorecem esse quadro.

Em uma primeira análise, deve-se ressaltar que o uso exacerbado das tecnologias constitui um problema para combater a ação dos influenciadores digitais. Nesse sentido, pesquisa realizada pelo portal Cupom Válido, o Brasil é um dos países com maior média de tempo de utilização diária de aplicativos, ultrapassando a marca de três horas. Essa conjuntura, então, torna os indivíduos suscetíveis aos engodos do marketing de influência, que cria estratégias para manipular as decisões das pessoas e induzi-las ao consumo de ideias, comportamentos ou objetos de terceiros.

Ademais, conforme defendido por estudiosos comportamentais, a necessidade de espelhamento do indíviduo contemporâneo proporciona um campo fértil para os influentes digitais. Diante disso, segundo a Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação, os influenciadores formam opiniões, de maneira que os seus seguidores sintam-se em condições semelhantes de consumo e, iludidos de que se encontram socialmente nivelados dos influenciadores, passem a consumir estilos de vida, além de produtos, marcas e serviços. Nesse cenário, surge-se então uma sociedade alienada da sua realidade.

Depreende-se, portanto, a necessidade de se combater esses obstáculos. Para isso, é imprescindível que o Ministério da Educação, por intermédio das escolas, ofereça um espaço para discussões acerca do uso adequado da tecnologia, no que tange ao uso do tempo e acessos às midias sociais, concomitante à leitura de textos existencialista visando a construção de critérios para blindagem individual em relação aos influencers. Assim, se consolidará uma sociedade mais autônoma, onde os indivíduos estarão plenamente capazes para decidirem o que querem consumir, independente da ação de terceiros.