Influenciadores digitais e seu impacto nas decisões de consumo

Enviada em 13/09/2021

“Na sociedade de consumidores, ninguém pode se tornar sujeito sem primeiro virar mercadoria.’’ O livro “Vida para Consumo” do sociólogo Zygmunt Bauman, disserta sobre as relações de consumo no século XXI, tema que está intrinsecamente ligado as redes sociais. Por conseguinte, o papel do influenciador digital pode ser entendido por dois prismas complementares nesse cenário: a economia da atenção, que estrutura o engajamento nas redes, e a nova era da comunicação heterogênea, em substituição a uma era em que se consumia informação de maneira homogênea.

Em primeiro plano, um dos maiores objetivos dos influenciadores é ter engajamento o suficiente para vender produtos e divulgar marcas, isso acontece através da atenção do seguidor que deposita o seu tempo assistindo a stories dos influenciadores, curtindo e comentando publicações. Todavia, a atenção do seguidor para essas postagens não é por acaso, consoante o documentário ‘‘Dilema das Redes”, as engrenagens das redes sociais são desenhadas para manter usuário o maior tempo possível on-line e por conseguinte exibir o maior número de recomendações personalizadas e propagandas, o que é definido como economia da atenção. Dessa forma, é fundamental que os usuários de redes sociais consigam distinguir se de fato precisam daqueles produtos que são promovidos pelos influenciadores ou se estão apenas sendo persuadidos pelas engrenagens da rede.

Além disso, antes era papel dos conglomerados de mídia fazerem uma ponte com as grandes massas, em uma era homogênea da comunicação , hoje vive-se uma comunicação heterogênea, sem intermediador, na qual os influenciadores falam direto com o seu público. Partindo dessa assertiva, o filósofo Byung Chul Han, disserta no seu livro “No enxame: perspectivas do digital”, sobre um fenômeno atual, no qual os intermediários, a mídia tradicional, são vistos com desconfiança por parte  da população, por não terem a suposta transparência e proximidade que os influenciadores digitais possuem. Portanto, é sem precedentes a responsabilidade desses influenciadores, pois a veracidade das publicidades e postagens que compartilham terá mais impacto do que uma propaganda tradicional.

Destarte, o governo poderia criar leis e regulamentações que garantissem a transparência das publicidades on-line, por meio do poder legislativo, criando dispositivos que facilitassem a identificação quando uma publicidade é enganosa ou duvidosa - uma vez que os consumidores on-line teriam uma proteção de que não estão sendo enganados - a fim de que houvesse uma maior fiscalização do que se é divulgado comercialmente nas redes. Assim, os usuários das redes sociais estariam mais protegidos das armadilhas presentes on-line na sociedade de consumidores.