Influenciadores digitais e seu impacto nas decisões de consumo
Enviada em 03/10/2021
Manoel de Barros, grande poeta pós-modernista, desenvolveu, em suas obras, uma “teologia do traste”, cuja característica principal reside em dar valor às situações, frequentemente, esquecidas ou ignoradas. Sob a ótica barrosiana, faz-se preciso, portanto, valorizar a problemática dos influenciadores digitais e seu impacto nas decisões de consumo no Brasil. Nesse sentido, a fim de dissertar e argumentar sobre essa temática, é importante analisar a negligência estatal e a educação brasileira.
Mormente, deve-se salientar a ausência de medidas governamentais para combater os impactos psicológicos gerados pelos chamados “digitais influenceres” na vida dos brasileiros influenciados. Nessa conjuntura, Otton Von Bismarck, estadista mais importante da Alemanha do século XIX, afirmou que o Estado deve garantir o bem-estar social da população. Sob esse viés, na medida que existem pessoa vivendo sob essa pressão psicológica digital, adquirindo transtornos mentais que impactam na saúde, observa-se, nesse ponto a falha na função do poder público, o que é evidente no país.
Ademais, é fundamental apontar que uma grande parcela da população se mostra alienada com o objetivo de atingir os padrões de vida perfeita que os influenciadores impõem. De acordo com musicólogo Vladimir Jankélévitch, em seu livro entitulado “Paradoxo da moral”, o homem moderno carrega uma cegueira ética, ou seja, as pessoas apresentam passividade frente aos impasses enfrentados. Similarmente, percebe-se que os cidadãos não enxergam que sua liberdade de escolha é controlada pelo o mundo digital. Essa situação ocorre, porque, a população adquire uma postura individualista e nao se movimenta em prol de mudar essa condição de dependência. Desse modo, é inadimissível que esse cenário continue a perdurar.
Infere-se, portanto, que medidas são necessárias para atenuar esse entrave. Sendo assim, cabe ao Ministério da Educação, promover uma série de palestras em escolas, ministradas por especialistas no assunto, que tenham alunos do ensino médio como público-alvo. Essa ação deve ser compartilhada na rede social do Ministério em formato de “Live”, com a finalidade de trazer mais clareza sobre as consequências na saúde e nas decisões individuais que os influenciadores digitais podem causar, atingindo um público maior. Assim, torna-se possível a construção de uma sociedade permeada pela incorporação dos elementos elencados na Magna Carta.