Influenciadores digitais e seu impacto nas decisões de consumo

Enviada em 15/09/2021

Na série “Black Mirror”, produzida pela Netflix, é abordado uma distopia, onde os indivíduos pertencentes a uma sociedade são avaliados de acordo com as relações interpessoais que executam. Com isso, há o estabelecimento de uma necessidade insaciável de sugestionar a comunidade adjacente para aumentar o score individual. Não distante da ficção, a contemporaneidade é repleta de situações como as evidenciadas pela produção cinematográfica, e os maiores exemplos da retratação desse cenário são os influenciadores digitais. Nesse contexto, a problemática fica clara, haja vista que os influenciadores usufruem de um magnetismo digital para com os consumidores, que por sua vez, pode ser prejudicados, seja por meio da incitação ao consumismo desenfreado ou da propaganda enganosa.

Consoante a essa ideia, é importante compreender o papel que os influenciadores interpretam no mercado publicitário, já que as propagandas praticadas por esses se assemelham mais com indicações rotineiras gratuitas do que com comerciais pagos, e devido a isso, podem contribuir para o desenvolvimento de uma mentalidade baseada na urgência de consumo por parte da audiência. Desse modo, é imperativo citar que, recentemente no Brasil, o Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (CONAR) publicou um manual com diretrizes para a prática de publicidade virtual, que dentre outras medidas, aconselha a indicação clara de conteúdo pago nas publicações, que pode ser realizado por meio de hashtags. Dessa maneira, o CONAR busca alertar os indivíduos sobre o anúncio patrocinado e atuar na proteção do consumidor virtual.

Outrossim, é mandatório salientar o prisma que a propaganda enganosa desfruta no âmbito da digitalização da publicidade, já que a internet, por muitas vezes, ainda é encarada como um meio menos fiscalizado no tráfego de informações, e com isso, muitos apostam nesse para difundirem os seus produtos, com a tranquilidade de não serem responsabilizados pelos ônus causados por esses. Dentro dessa problemática, não foram raros os casos de publicidades pagas envolvendo medicamentos que supostamente preveniam a infecção pelo coronavírus, como o caso da youtuber Marina Ferrari com o polivitamínico, Gummy Hair. Esse exemplo denota a falta de seriedade com que os anúncios são tratados na internet.

Por fim, é evidente que essa temática configura uma questão desafiadora para o Brasil. Portanto, cabe ao CONAR fiscalizar as propagandas digitais, por meio da criação de um canal de denúncia específico, com a finalidade de proteger os consumidores. Diante disso, os influenciadores tratarão os conteúdos pagos com o respeito inerente que seus seguidores merecem. Dessa forma, a sociedade não precisará se preocupar com sua evolução para a distopia abordada na série televisiva.