Influenciadores digitais e seu impacto nas decisões de consumo
Enviada em 02/10/2021
Sócrates, importante filósofo da história, foi culpado de influenciar a juventude com ideias contrárias aos interesses da elite vigente e, por conta disso, foi sentenciado a beber um cálice com veneno. Em um contexto atual, no século XXI, influenciadores digitais, a partir da grande fama e reconhecimento, divulgam marcas e empresas, “guiando” sua audiência em decisões materiais e imateriais. Entretanto, independente das diversas formas possíveis de “manipulação”, é função do ouvinte regular e formar sua própria opinião para, dessa maneira, interpretar as possíveis formas de “controle”.
Em primeiro lugar, Arthur Schopenhauer, em seu livro A Arte de Escrever, defende que nada prejudica mais o pensamento próprio do que uma influencia muito forte de pensamentos alheios, ou seja, o ato de ser influenciado significa perder a própria identidade para ideias meramente compradas. Dessa forma, é necessário que, ao longo do desenvolvimento individual, ocorra a formação de pontos de vistas. Em outras palavras, o indivíduo, ao construir argumentos com os conhecimentos adquiridos ao longo da formação pessoal, corresponde a um cidadão que sabe reagir ao bombardeamento desenfreado de ideias, marcas, objetos e opiniões alheias.
Ademais, o conceito de aldeia global sintetizado pelo canadense Herbet Marshal exemplifica o processo de redução de tempo e espaço, ou seja, a “internetalização” que aumenta a velocidade de comunicação, também corresponde ao aumento expressivo da quantidade de propagandas. Entretanto, esse bombardeamento não é algo recente, a mídia é reconhecida pela sua constante alienação dos telespectadores com seus produtos, assim como as diversas formas de marketing. Desde os egípcios, a propaganda é importante instrumento utilizado para promover a imagem de algo ou alguém como, por exemplo, o faraó. Assim sendo, é possível relacionar com a frase de René Descartes, conhecido como o pai do pensamento moderno, ”Penso, logo existo”. Essa frase demonstra que a reflexão é a única fonte segura de reconhecer a realidade. Por conseguinte, é possível inferir que a capacidade de não ser manipulado é algo que deve ser desenvolvido pelo próprio indivíduo e não pelo sistema.
Em síntese, a partir dos pontos exemplificados, é notável a influência gerada pelos donos dos monstruosos números das redes sociais, porém, da mesma forma, é notável o papel do cidadão de interpretar e gerar um entendimento acerca do assunto tratado, argumentando contra tais perspectivas. Dessa forma, é dever das escolas incentivar a busca e pesquisa dos alunos, para gerarem cidadãos bem posicionados. Ao se assegurar tal direito, o cidadão consegue formular sua própria visão de mundo, comprando ou não o produto especificado pelo digital influencer.