Influenciadores digitais e seu impacto nas decisões de consumo

Enviada em 16/09/2021

Em seu livro O Capital - I, o filósofo alemão Karl Marx apresenta a teoria do “fetichismo da mercadoria”. Através desse conceito, ele busca explicar que, nas sociedades capitalistas, as mercadorias aparecem como as verdadeiras portadoras de virtudes, em detrimento do indivíduo, o que enlarguece a busca pelas mesmas. Infelizmente, a questão  ainda persiste, mas adequada às novas tecnologias, bem como corresponde a um problema da sociedade brasileira contemporânea, já que temos acompanhado o crescimento do impacto dos influenciadores digitais nas decisões de consumo dos cidadãos, o que ocorre tanto pela propaganda de produtos e serviços como também de ideias. Tarefa essa facilitada pelo ambiente das redes sociais, onde os algorítimos tendem a condicionar os usuários aos produtos do momento e às ideias que jão são por eles compartilhadas, impedindo, assim, maior tolerância e autonomia decisória.

Neste sentido, podemos observar o episódio Nosedive, da série britânica Black Mirror, onde acompanhamos Lucy, em uma sociedade regida pelas redes. Muitos seguidores significa, em resumo, aceitação e, ainda que aparentemente, uma boa vida. Nesse mundo, para o qual a sociedade brasileira parece caminhar, as redes sociais e seus influenciadores vendem às pessoas uma única possibilidade de relacionamento social, onde os diferentes são tratados como inferiores.

Ainda nesta seara, a história recente do Brasil, sobretudo durante o processo de impeachment da ex-Presidente Dilma Rousseff, tem deixado claro o quão problemática é a dinâmica atual das redes e seus influenciadores, principalmente no tocante a venda de opiniões. As plataformas limitam os usuários. Condicionados pelo consumo exclusivo de suas próprias opiniões, eles tendem a reagir agressivamente ao diferente, o que prejudica a saúde da pluralidade democrática.

Desse modo, Filosofia, Arte e História retraram um relevante problema da sociedade brasileira contemporânea. Que deve ser enfrentado mediante a atuação do Congresso Nacional, por meio de um projeto de lei que, tendo tramitado nas duas Casas, obrigue as redes sociais a adequarem seus algorítimos, para que os usuários sejam expostos a variados pontos de vista. Assim, após sanção e promulgação presidencial, poder-se-ia frear as consequências do impacto dos influenciadores digitais nas decisões de consumo, principalmente quanto ao consumo de informação e opinião, contribuindo, desse modo, para uma sociedade brasileira mais plural e tolerante.