Influenciadores digitais e seu impacto nas decisões de consumo
Enviada em 19/09/2021
Na Europa medieval, a imagem de Jesus Cristo era um elemento fundamental para influenciar o povo a seguir as normas determinadas pela igreja católica. A partir disso, pode-se estabelecer uma relação entre o que acontecia no passado a uma dinâmica observada no presente: O poder de influência de blogueiros e vlogueiros nas decisões de consumo de seus seguidores. Dessa forma, deve-se fazer uma reflexão a respeito dessa, visto que ela provoca perigosos efeitos, tais como o consumismo e a alienação.
Nesse sentido, vale ressaltar que a propagação de produtos pelos influenciadores promove o consumo exarcebado. Isto se dá por conta da relação de pessoalidade entre estes e os consumidores de seu conteúdo, a qual, segundo a pesquisadora em comunicação digital Isaaf Karhawi, é como se fosse uma amizade. Com isso, evidencia-se uma confiança na opinião dos influencers acerca de produtos e serviços - mesmo que esses apenas os usem, sem necessariamente serem pagos para falar sobre - o que promove o consumo dos mesmos pelos indivíduos que os seguem, principalmente menores de 14 anos, já que são mais sucetíveis a serem influenciados.
Por conseguinte, é importante mencionar que a influência exercida pelos criadores de conteúdo digital estabelece uma vulnerabilidade no pensamento crítico e racional de seus seguidores. Nesse contexto, a revista Digital Trends denuncia, em uma matéria, empresas fraudulentas que usaram a imagem de celebridades em propagandas de remédios de emagrecimento, sem a autorização das mesmas, com o intuito de manipular pessoas a comprar esses produtos. Essa situação trazida pela notícia ratifica a alienação e o fanatismo criado pela relação entre influenciador e seguidor, uma vez que o segundo acredita veemente não somente nas opiniões do primeiro, mas simplesmente na imagem dele.
Logo, visto que o poder de influência exercido pelos criadores de conteúdo pode gerar consequências perigosas, deve-se fazer algo a respeito. Assim, é necessário que pais, mães, e/ou responsáveis façam parte da vida digital de suas crianças assistindo e se engajando com os conteúdos consumidos por elas além de pedir as opiniões das pequenas acerca dos temas abordados por esses. Dessa maneira, é possível que crie-se um senso crítico nesses pequenos indivíduos o qual os façam questionar a propaganda feita pelos influencers, de modo a afastar a contemporaneidade do passado medieval.