Influenciadores digitais e seu impacto nas decisões de consumo

Enviada em 17/09/2021

No livro O mito da beleza, Naomi Wolf disserta sobre como os padrões de beleza influenciavam o comportamento das mulheres no final do século XX, promovendo hábitos de compra predeterminados pela indústria. Na época, as tendências de marketing eram muito diferentes daquilo com o que temos contato hoje em dia, tendo em vista que se davam através de revistas e anúncios na televisão. Atualmente, com o amplo acesso da população à internet, os maiores responsáveis pelas decisões de consumo são os influenciadores digitais pelo algoritmo das redes sociais.

No decorrer da obra, Wolf afirma que o objetivo principal da indústria de cosméticos é vender produtos tidos como necessários para o alcance da beleza por meio da propagação de uma imagem ideal. Transcrevendo essa linha de raciocínio de para a modernidade, num contexto em que as redes sociais cumprem o papel de diariamente entregar essas “imagens ideais” para o usuário, a forma mais coercitiva de divulgar um produto é fazendo uso do carisma de alguém cujo estilo de vida é desejado pelos demais internautas. No caso do mercado supracitado, a visualização de uma mulher linda, magra, disposta e saudável é suficiente para fazer com que consumidoras queiram comprar as coisas que, em teoria, a fazem ser assim.

O modelo de divulgação, no entanto, não se aplica apenas a produtos de beleza. Por meio do algoritmo de dados das redes, cada usuário tem acesso priorizado ao nicho de propagandas e influenciadores que lhe entregam o tipo de conteúdo que costuma consumir. Filmes, gastronomia, esporte, jogos virtuais, viagens - uma infinidade de assuntos. Assim, é arquitetada a comercialização do tempo das pessoas e suas decisões de consumo são influenciadas de forma que pareça voluntário.

Dessa forma, é necessária a legitimação legal da internet como meio de divulgação. Como há protocolo para propagandas em meios historicamente convencionais, cabe à Secretaria Especial de Comunicação Social prever maneiras de controlar o que é postado e tenha potencial de ferir a autonomia de escolha do consumidor inconscientemente. Isso pode acontecer por meio de parcerias com equipes contratadas pelas próprias empresas, como o Instagram, que são responsáveis pela revisão de conteúdos denunciados, por exemplo.