Influenciadores digitais e seu impacto nas decisões de consumo

Enviada em 17/09/2021

A série Black Mirror, no episódio “Queda Livre”, aborda a quebra da autonomia crítica das pessoas através de influenciadores digitais, fato que, para a protagonista Lacy, representou uma manipulação ideológica da própria personagem para uma tendência consumista. De maneira análoga, no Brasil, percebe-se os impactos negativos de pessoas na internet em relação às decisões de consumo, uma vez que cria-se uma idealização ilusória de satisfação absoluta através de propagandas. Sendo assim, a inserção de uma “indústria cultural” na sociedade aliada ao sentimento humano de atribuir um sentido à vida, sustentam as razões para o entrave em questão.

Em primeiro lugar, a produção e a imposição de hábitos de fins capitalistas em sociedade rompem a autonomia humana. Nessa perspectiva, o sociólogo alemão Theodore Adorno, defende que o uso das mídias digitais por influenciadores de modo a incentivar o consumo, representa um padronização comportamental de uma população. Nesse sentido, os indivíduos ao se depararem com inúmeros anúncios de produtos na internet associados às pessoas as quais seguem, por meio da idealização, renunciam , mesmo que de modo implícito, o seu senso crítico para avaliar a verdadeira necessidade de tal recurso, fato que favorece o consumo exacerbado e, na maioria das vezes, desnecessário.

Depreende-se, portanto, a necessidade da redução do tendencionalismo comercial por “digital influencers”. Para isso, cabe ao Ministério da Comunicação - principal órgão da veiculação audiovisual - a reformulação do regulamento sobre a publicação publicitária via internet que, através de especialistas em publicidade e progapanda, será responsável pela contenção do viés capitalista e idealizador de anúncios a fim de promover uma reflexão crítica à sociedade sobre a necessidade consumista real. Somente assim, pessoas como Lacy não terão sua autonomia corrompida, fato que implicará em melhores decisões de consumo.