Influenciadores digitais e seu impacto nas decisões de consumo
Enviada em 29/09/2021
O escritor Aldous Huxley demonstra, no livro *Admirável mundo nove, diversas ferramentas de manipulação comportamental habilitadas a serem empregadas em larga escala, as quais podem ser utilizadas a fim de determinar os padrões de consumo da população, favorecendo o gosto por atividades pagas em detrimento às gratuitas. Observa-se, nessa perspectiva, semelhanças entre o retratado por Huxley e a realidade brasileira, caracterizada pela influência de figuras públicas advindas das redes digitais em relação às decisões de compra da população, de modo a minimizar a autonomia dos indivíduos. Nesse sentido, as estruturas sociais vigentes e características inerentes ao homem contribuem para a permanência da situação. Urge, assim, a análise da conjuntura.
É tácito, diante desse cenário, inferir o modelo social como um causador do problema. Nesse sentido, segundo o filósofo Michel Foucault, o objetivo da sociedade na forma em que ela se apresenta é gerar indivíduos domesticáveis, isto é, suscetíveis à manipulação por parte de pessoas mais proeminentes nas esferas públicas. Sob esse ângulo, considerando os influenciadores digitais figuras com grande visibilidade, e, por conseguinte, parte do grupo proeminente, é incontrovertível seu poder de atuação no tangente às escolhas dos cidadãos brasileiros, de forma a promover interesses da indústria, haja vista o estímulo ao consumismo beneficiar as empresas Logo, tem-se uma inibição do senso crítico e a perda crescente de valores como a diversidade devido à padronização do consumo.
Outrossim, cabe pontuar a relevância da natureza humana no tangente ao tema. Nessa lógica, é perceptível, após a análise das civilizações antigas e atuais e a constatação da presença incessante da religião, a tendência antrópica à idolatria, ou seja, a atribuição de características distintas e valorosas a algo a ponto de torná-lo objeto de adoração, e, por vezes. como é o caso do cristianismo, meta a ser atingida. Semelhantemente, no contexto hodierno, há uma idealização — proporcionada tanto pela superficialidade do exposto nas mídias digitais quanto pela aparência de sucesso que a visibilidade permite — e consequente idolatria relacionada aos influenciadores digitais; os quais tornam-se uma referência. Dessa maneira, o modelo de consumo desses constitui um objetivo para a população.
Depreende-se, portanto, a necessidade de medidas mitigantes para a problemática. Sendo assim, o Ministério da Educação deve promover o pensamento crítico no país, por meio de palestras no ambiente escolar acerca da importância de realizar ações autônomas os perigos da vulnerabilidade à manipulação. tendo como palestrantes professores da área de humanidades — como Filosofia, Sociologia e História —, no intuito de inibir a alienação dos brasileiros. Isto feito, o Brasil poderá, num futuro próximo, ser constituído por cidadãos mais diversos e conscientes.