Influenciadores digitais e seu impacto nas decisões de consumo

Enviada em 09/10/2021

O desfile das marcas de luxo durante o Paris Fashion Week contou com a participação de centenas influenciadores digitais. Todos eles convidados para divulgar, em suas redes com milhões de seguidores, as novas coleções e tendências da moda mundial. Essa estratégia de divulgaão, no entanto, vem sendo pauta de discussão na sociedade, por provocar o consumo exagerado por parte da população população. Diante desse fato, observa-se a consolidação de um grave problema de contornos específicos, em virtude dos anseios humanos pela compra somado ao alcançe da internet.

É importante ressaltar, primeiramente, que o comportamento humano é influenciado diretamente pela ação dos influenciadores. Sob esse aspecto, Schopenhauer, em sua teoria, dissertou que a humanidade busca, incansavelmente, por saciar sua vontade pelo novo e, na contemporaniedade, esse desejo é materializado, sobretudo, pela compra de bens e serviços. Nessa perspectiva, os famosos digitais aguçam, por meio de suas redes sociais, o inerente processo humano da saciação pela novidade. Tal fato é evidenciado ao analisar a pesquisa divulgada pelo jornal “El País”, que demonstra a maior venda de produtos das marcas que investem nesse tipo de divulgação. Como resultado desse processo,  indivíduos consomem exageradamente e acabam por desenvolver quadros de compulsação.

Ademais, outro fator que corrobora esse grave cenário é o impacto gerado pela divulgação em massa na internet. Sob esse viés, Guy Debord, em seu livro “Sociedade do Espetáculo”, relata que o advento da internet gerou uma massificação, até então jamais vista pela humanidade,  da divulgação de produtos e serviços. Esse processo, fomentado pelas marcas e seus influenciadores digitais, gera uma ampliação do mercado consumidor que, movido pela roda do capitalismo, gera rentabilidades altas de para os setores da economia todos os anos. Mas esse lucro, no entanto, vem acompanhando do endividamente dos consumidores, como aponta a pesquisa da Sociedade Brasileiro de Comércio (SBC), que demontrao a inadimplência e o endividamente de quase 60% do consumo varejista.

Fica claro, portanto, que a impacto dos influenciadores gera um problema de consumo na sociedade. Urge, portanto, que o Congresso Nacional, por meio de uma legislação, crie e aprove uma lei que vise coibir a divulgação em massa de conteúdos nas redes sociais. Tal lei deve criar um mecanismo, junto a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), para monitorar e coibir divulgações de longo alcance dos famosos digitais. Em paralelo, a legislação deve contemplar a divulgação, junto a mídia, de campanhas de conscientização da população acerca do consumo consciente de bens e serviços, com o fito de assegurar a melhor gestão financeira da população. Somente assim, a estratégia digital poderá gerar consumo consciente na população.