Influenciadores digitais e seu impacto nas decisões de consumo

Enviada em 22/09/2021

‘‘Eu entrego a minha vida pra você fazer o que quiser de mim.’’ Foi assim que o eu lírico da música ‘‘Evidências’’, cantada por Chitãozinho e Xororó, declarou a paixão por sua amada. Em outra perspectiva, todavia, percebe-se que parecido é o sentimento de muitos usuários de variadas redes sociais ao serem manipulados por influenciadores digitais a consumirem variados produtos. Desse modo, nota-se que a concepção social de que essas redes são completamente gratuitas e a ausência de uma efetiva educação tecnológica nas escolas fazem com que tal questão se torne um problema para o Brasil.

De início, é evidente que a ideia de que as redes sociais são terras de ninguém tem prejudicado muitos brasileiros. Esse quadro deriva da concepção de diversos cidadãos do país de que, por não pagarem um valor para entrar em tais aplicativos, eles são gratuitos, não compreendendo que quando não se compra algo diretamente, o usuário que é o produto. Byung-Chul Han, célebre filósofo, já discorreu que o indivíduo atual é explorado acreditanto estar tendo sucesso, revelando os males da tecnologia atual e alertando a influência que grandes empresas podem ter no povo. Similarmente, os residentes do Brasil são manipulados por influenciadores, contraindo dívidas e arrependimentos.

Ademais, é notório que a ausência de uma efetiva educação tecnológica nas escolas nacionais está ligada ao crescimento da manipulação digital. Tal contexto se origina da filosofia de muitos dos responsáveis pela diretriz educacioal brasileira de tratar a educação da juventude como uma mera obrigação, não captando a necessidade de elaborar um ensino qualificado e relacionado com a realidade deles. No livro ‘‘São Bernardo, escrito por  Graciliano Ramos, Paulo Honório, agricultor com muitas posses e bens, instalou um colégio em sua propriedade apenas para agradar o governo, colocando como professor Luís Padilha, homem falido, só para preencher o espaçõ. No Brasil hodierno, os mais poderosos pouco se importam com o conhecimento tecnológico do povo, auxiliando influenciadores a controlar escolhas dos mais simples.

Ratifica-se, portanto, que sociedade e governo devem alterar suas respectivas cosmovisões a fim de que se finde a manipulação de influenciadores digitais. Para alterar tal cenário, cabe ao Ministério da Educação, responsável pelo ensino do povo, para visar um Brasil consciente, criar mecanismos que eduquem os cidadãos tecnologicamente, por meio da inserção na BNCC de aulas de redes sociais, publicidade e sociedade, duas vezes por semana, com a presença de publiciários, engenheiros de software e sociólogos. Nesse ínterim, é papel da grande mídia nacional criar conteúdos e matérias jornalísticas que alertem sobre o uso de dados em variados aplicativos. Assim, a pátria estará repleta de ‘’evidências’’, comprovando seu crescimento.