Influenciadores digitais e seu impacto nas decisões de consumo

Enviada em 22/09/2021

Com o advento da Terceira Revolução Industrial, em meados do século XX, houve a disseminação dos meios de comunicação em escala mundial, o que viabilizou uma profunda integração tecnológica entre distintas regiões do planeta. Nesse contexto, ressalta-se que, gradativamente, com a consolidação da internet, um novo grupo social adquiriu fundamental importância nas  decisões de consumo da população. Esses influenciadores digitais apresentam papel crucial na padronização da compra de produtos e serviços, muitas vezes recorrendo a publicidades enganosas para acumular recursos financeiros. Portanto, verifica-se que essa realidade precisa ser alterada com urgência.

Em primeira análise, é imprescindível salientar que a uniformização de opiniões realizada por discursos de influenciadores nos meios virtuais implica minimização da diversidade de produtos no mercado. Segundo Adorno e Horkeimer, célebres pensadores da Escola de Frankfurt, a implementação de uma mentalidade hegemônica é capaz de aumentar os lucros da indústria cultural. Sob tal ótica, essa parcela manipuladora das redes, através de parcerias com grandes empresas, consegue moldar os desejos de muitos indivíduos, fomentando a aquisição de produtos específicos e a rejeição de negócios com menor poder econômico. Dessa forma, ocorre um processo de diminuição da competição capitalista, fator nocivo aos consumidores pela ampla influência de poucas corporações.

Ademais, constata-se que as propagandas realizadas por influenciadores digitais podem ser mentirosas, prejudicando os cidadãos que acreditam nesses famosos da internet. Nessa perspectiva, Descartes, filósofo racionalista, cogitou a possibilidade de existência de um “gênio maligno”, o qual distorceria a realidade, impedindo que os humanos percebessem a verdade. Analogamente, esse grupo ligado às redes e responsável por divulgar serviços e produtos, ínumeras vezes, estimula a compra de bens de péssima qualidade, ocultando suas características negativas de modo completamente antiético. Apesar disso, parte do público desses influenciadores continua valorizando-os.

Logo, evidencia-se que o Governo Federal deve intervir nessa questão nefasta. Para tanto, faz-se mister que o Ministério da Cidadania promova, por meio da destinação de verbas vultosas à área social, a realização de um projeto nas mídias digitais de divulgação de estratégias simples para se alcançar um consumo consciente e adequado.  Essa atitude, que envolverá a participação de especialistas em “marketing” e sociólogos renomados, objetiva a redução da alienação dos consumidores associada à atuação dos influenciadores digitais. Assim, será possível reverter prejuízos decorrentes da Terceira Revolução Industrial e estimular o pensamento crítico na sociedade.