Influenciadores digitais e seu impacto nas decisões de consumo

Enviada em 23/09/2021

O filósofo Voltaire defendia que um dos princípios mais importantes de uma sociedade é a liberdade de pensamento, e esse princípio se vê ameaçado na sociedade contemporânea, onde através do advento das tecnologias e das redes sociais, surgiram os chamados “influenciadores digitais”, que contam com milhões de seguidores em suas plataformas e têm como trabalho o convencimento das pessoas. Isso faz com que os cidadãos sejam influenciados, manipulados e impacta diretamente em muitos assuntos da sociedade, como as próprias decisões de consumo.

Primeiramente é preciso entender que o ser humano possui uma tendência desde os primórdios em seguir padrões de manada, norteando seus atos através do que a maioria e do que seus semelhantes estão buscando, esse é um instinto de sobrevivência e faz parte da evolução. Porém, a indústria do consumo se vale desse mecanismo para usar os influenciadores como armas de disseminação de desejo por produtos ou serviços, e isso leva os consumidores a comprarem mercadorias apenas para se sentirem pertencentes ao corpo social que também está “seguindo” por esse caminho. Esse modismo traz malefícios, uma vez que priva os cidadãos de tomarem decisões individuais de consumo, e reduzem a pluralidade em detrimento de uma padronização. Todos com as mesmas roupas, carros, gostos e etc.

Por outro lado faz-se mister entender que vivemos em uma sociedade desigual e que já conta com uma grande segregação. O impacto que os influenciadores digitais exercem aumenta esse flagelo, tendo em vista que aqueles indivíduos que não tem condições de consumir os produtos da moda e acompanhar as tendências, acabam tendo mais um motivo para se sentirem marginalizados e fora dos padrões impostos socialmente. É comum nas comunidades e periferias brasileiras vermos indivíduos usando produtos falsificados ou contrabandeados de marcas de luxo ou que estejam em voga, apenas para alcançarem o fetichismo da mercadoria teorizada pelo pensador Karl Marx. Por esse motivo esse é um problema que impacta até mesmo na criminalidade, contribuindo para o aumento dos crimes de contrabando, falsificação e outros de ordem financeira, tudo em prol do consumo do objeto de desejo.

Por fim, ficam claros os impactos negativos que esses “influencers” exercem na sociedade, e o Congresso Nacional -através de seus deputados e senadores- deverá criar novas normas que limitem a divulgação desenfreada de produtos ou serviços por esses indivíduos. O Ministério da Educação juntamente com pais e responsáveis deverão fazer campanhas de incentivo a individualidade, pluralidade e valorização dos aspectos individuais de cada um, através de campanhas e atividades lúdicas nas escolas. Dessa forma, cada vez menos o “ter” virá a frente do “ser” em nossa sociedade!