Influenciadores digitais e seu impacto nas decisões de consumo

Enviada em 23/09/2021

Desde o advento da internet e das redes sociais, o mundo digital tem se tornado uma esfera cada vez mais completa, sendo suporte para o lazer, o trabalho, as compras e, não menos importante, para a propaganda. Assim surge a figura dos influenciadores digitais: figuras públicas da internet que têm o poder de influenciar comportamentos e hábitos de seu público ao compartilhar seu estilo de vida e parcerias de marketing, o que, no mundo capitalista, é uma grande responsabilidade. Nesse sentido, é importante discutir como esse fenômeno impacta as decisões de consumo dos internautas, podendo incentivar o consumismo e  condicionar a felicidade so consumo.

Em primeira análise, é notável que os influenciadores, por serem vistos por seu público como alvos de admiração, são tidos como modelos a serem seguidos. Desse modo, ao constantemente divulgar produtos e serviços, essas pessoas criam tendências de consumo que seus seguidores buscam seguir, resultando em consumismo. Essa constatação dialoga com a ideia de modernidade líquida, de Bauman: nos tempos modernos, nada é feito para durar, e as tendências de compra ditadas pelos influenciadores são um exemplo disso, sempre mudando e criando novas ondas de consumo e descarte, o que trás problemas financeiros e ambientais. Assim, fica evidente que a atuação dos influenciadores digitais impacta as decisões de consumo de seu público, incentivando o consumismo.

Em segunda análise, essas figuras públicas divulgam produtos e serviços ao tornarem suas vidas vitrines, portanto a necessidade de retratar vidas perfeitas surge como ferramenta de marketing. Para o público, o impacto disso é o condicionamento da felicidade ao consumo: entende-se, ainda que subconscientemente, que as mercadorias divulgadas são um requesito para tais perfeição, felicidade e realização. Dessa forma, os influenciadores digitais contribuem para a fetichização da mercadoria: como conceituado por Karl Marx, a sociedade contemporânea tem os produtos como objeto de adoração tal como religiões tribais têm os totens. Logo, fica claro que outro impacto gerado pela atuação das figuras públicas da internet é a ideia da felicidade subordinada ao consumo.

Portanto, diante do consumismo e distorção do conceito de felicidade como impactos da atuação dos influenciadores digitais nas decisões de consumo de seu público, cabe intervenção estatal para mitigar esse problema. Para isso, cabe ao MEC, junto ao Ministério da Saúde, orientar os usuários da internet acerca dos riscos financeiros, ambientais e de saúde mental que acompanham o consumismo e a falácia do consumo como requesito para a felicidade, utilizando-se de campanhas educativas veiculadas nas redes sociais, com participação de profissionais da saúde e da ecologia. Assim, objetiva-se desvincular a realização pessoal do consumo, bem como desincentivar hábitos nocivos de compra.