Influenciadores digitais e seu impacto nas decisões de consumo

Enviada em 23/09/2021

Segundo as ideias do sociólogo Habermas, os meios digitais são fundamentais para a razão comunicativa. É possível mencionar que a internet é de suma importância para o desenvolvimento da sociedade. Entretanto, esse meio tem sido utilizado para a disseminação do consumo exarcebado, promovido, principalmente, pelos influenciadores digitais. Essa realidade constitui impactos para os indivíduos, tais como o ter em detrimento do ser e a universalização da escolha.

De início, é vital postular que a influência digital foi concretizada a partir da globalização, no século XX, por meio da implantação, cada vez mais, sofisticada das redes, na qual é notória a presença de um capital diversificado. Nesse viés, a consolidação dos influenciadores digitais perpertuou a necessidade de consumir, uma vez que induzir os seguidores a comprar é o trabalho principal deles. Um dos impactos mais expressivos é o ter em detrimento do ser, ou seja, é mais importante adquirir bens materiais e status social à construir plenamente o ser em si, tornando a vida do indivíduo supérflua e artificial, além da produção desenfreada de lixo pela parcela consumista. Portanto, nota-se que os influenciadores digitais atuam ativamente na decisão de consumo da sociedade.

Além disso, vale ressaltar o caráter universalizado das escolhas, a partir da indução de consumo nas redes. Sob essa perspectiva, aliado às ideias do filósofo Byung-Chul-Han, o consumo apresenta-se como uma forma de aliviar as inquietações resultantes da vida moderna e, na medida em que consolidam-se as estratégias dos influenciadores digitais na decisão desse consumo, muitas vezes fútil, os indivíduos acabam optando e simpatizando pelos mesmos produtos e ideias. Efeito disso é a mitigação do senso crítico e a incapacidade de pluralizar opiniões, além do desenvolvimento da necessidade inevitável de comprar. Dessa forma, fica evidente a negativa interferência do trabalho de influenciador digital na atualidade.

Ações, portanto, deverão ser efetuadas para resolver o impasse. Para isso, é necessário que o governo fiscalize, por meio de reuniões, sobretudo com a presença de especialistas, a atividade dos influenciadores digitais, a fim de impedir a alienação e o consumismo exacerbado da população ativa nas redes, além de permitir a formação do senso crítico dessa parcela e evitar a produção desnecessária de lixos decorrentes da superficialidade das compras feitas pelo meio digital.