Influenciadores digitais e seu impacto nas decisões de consumo

Enviada em 23/09/2021

No livro “1984” de George Orwell, é retratado um futuro distópico em que um Estado totalitário controla e manipula toda forma de registro histórico e contemporâneo, a fim de moldar a opinião pública. Fora da ficção, existem na contemporaneidade, influenciadores digitais que através de simples conversas e propagandas conseguem moldar a opinião de seu público sobre algum assunto ou produto. Isso se dá pelas supostas vidas perfeitas dos “influencers”expostas na mídia, fazendo com que o usuário possa perder sua capacidade de escolha, se limitando às opiniões avulsas que veem no âmbito digital.

À princípio, é importante ressaltar a criação de falsas realidades expostas no ambiente digital. Acerca disso, o prefácio escrito por Eça de Queiroz à obra “A Relíquia”, “sob o diáfano manto da fantasia, a nudez da verdade”, pode, nesse contexto, ser associado ao “manto” das fantasias dos influenciadores digitais, que ocultam as verdadeiras realidades pessoais, usando, por exemplo, photoshop em suas fotos a fim de aparentar zero defeito diante à mídia, e assim, mostrar ao seu público o que e o que não consumir.

Outrossim, o ser humano perde sua capacidade de escolha. Tal preceito afirma que, por influência de fatores coercitivos, o cidadão perde seu pensamento individual e junta-se a uma massa coletiva. Dentro do contexto da internet, o usuário, sem perceber, é induzido a consumir e comprar devidos produtos devido a um “bombardeio” de propagandas de influenciadores que aparece em seu dispositivo conectado. Evidencia-se, portanto, uma falsa liberdade de escolha quanto ao que fazer no mundo virtual.

Portanto, é mister que o Estado tome providências para amenizar o quadro atual. Urge que o Ministério da Ciência e Tecnologia crie uma ferramenta de identificação de edições de imagem a fim de mostrar que a postagem não se refere à realidade e “desmascarar” vidas perfeitas. Cabe também ao Ministério de Educação e Cultura (MEC) criar, por meio de verbas governamentais, campanhas publicitárias nas redes sociais que advirtam os internautas do perigo da alienação dos influenciadores digitais, sugerindo ao interlocutor criar o hábito de buscar informações de fontes variadas e manter em mente o filtro a que ele é submetido. Feito isso será possível estourar a bolha que de “1984” presente no século XXI, oferecendo novamente capacidade de escolha aos indivíduos.