Influenciadores digitais e seu impacto nas decisões de consumo

Enviada em 23/09/2021

Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. No entanto, o que se observa, na contemporaneidade, é o oposto do que o autor prega, visto que as decisões de consumo persuadidas pelos influenciadores digitais apresentam barreiras, as quais dificultam a concretização dos planos de More. Esse cenário antagônico é fruto tanto da manipulação do influenciador sobre os seguidores quanto da falta de políticas públicas que visam orientar os consumidores. Diante disso, torna-se fundamental a discussão desses aspectos, a fim do pleno funcionamento da sociedade.

Em primeiro plano, é fulcral pontuar que diariamente milhões de pessoas são manipuladas a consumirem determinados serviços ou produtos. Nesse sentido, deve-se salientar que as redes sociais movimentam muito dinheiro e, paulatinamente, pequenas e grandes empresas investem seu capital em propagandas aos influenciadores digitais, para divulgarem seus produtos e serviços. Na série “Black Mirror”, retrata um mundo em que as redes sociais dominam a sociedade, fazendo as pessoas —consumidoras de conteúdo—, mudarem de atitudes, desde hábitos alimentares até como devem conversar entre si e, apesar de se tratar de uma ficção, isso não se distancia da atualidade, haja vista que até o café da manhã são os influenciadores que ditam o que comer e de qual marca escolher. Portanto, faz-se mister a reformulação dessa postura manipuladora, de forma urgente.

Ademais, é imperativo ressaltar a falta de políticas públicas que visam orientar os consumidores como promotora do problema. Segundo o portal de notícias “Metropoles”, em 2017, foram contabilizados no Instagram quase 13 milhões de postagens de influenciadores patrocinados por marcas. Partindo desse pressuposto, constatam-se várias propagandas disseminadas nas redes pelos influenciadores e, nem todas possuem produtos e serviços de qualidade, e mesmo assim muitos desses incentivam seus seguidores a adquirirem, pois, quanto mais vendas maior será a fatia de dinheiro recebido das empresas. Logo, tudo isso retarda a resolução do empecilho, perpetuando a problemática.

Assim, medidas exequíveis são necessárias para conterem os impactos da persuasão dos influenciadores digitais no consumo. Para isso, com o intuito de mitigar toda essa influência, o Ministério da Educação deve elaborar projetos que oriente os jovens a não serem manipulados pelos famosos das redes sociais —como Instagram, Facebook, etc.—, por meio de psicólogos especializados na orientação juvenil, para que a população não seja moldada pelas empresas capitalistas, garantindo o direito à liberdade. Desse modo, atenuar-se-á, em médio e longo prazo, o impacto nocivo desse revés, e a coletividade alcançará a “Utopia” de More.