Influenciadores digitais e seu impacto nas decisões de consumo
Enviada em 23/09/2021
“Quando nascemos fomos programados/ A receber o que vocês nos empurraram com os enlatados/ Dos USA, das nove às seis”. Esses são versos da canção “Geração Coca Cola”, da banda Legião Urbana, que criticam o enorme e descontrolado consumo dos indivíduos, que chegam a parecerem verdadeiras máquinas. Nesse sentido, os influenciadores digitais, ou seja, pessoas com elevado número de seguidores nas redes sociais, ascenderam na publicidade como meios de maximizar vendas de produtos, por atingirem massas. Assim, entre os impactos nas decisões de consumo causados pelos influenciadores, estão a idealização do produto como solução universal e a massificação da compra pelo controle inconsiente dos seguidores, transformando-os em máquinas programadas à comprarem.
De início, é válido ressaltar que a idealização do produto como uma solução universal é um impacto dos influenciadores digitais nas decisões de consumo da pessoa, já que eles somente mostram as partes positivas do produto. A respeito disso, o filósofo Aristóteles afirma que as pessoas vivem em uma incessante atração pelo Primeiro Motor, isto é, a perfeição. Por isso, ao verem, por exemplo, uma influenciadora de pele e cabelos sem defeitos, os seguidores, em busca desse padrão, compram os produtos que elas indicam. Então, a publicidade deles é feita como solução para atingir tal aparência e vida da influenciadora que, no seu perfil, são idealizadas e mostradas como perfeitas. Dessa forma, o consumo do produto passa a ser a decisão do comprador como solução para parecer a influenciadora.
Além disso, é fato que um impacto dos influenciadores digitais nas decisões de consumo dos indivíduos é a massificação da compra pelo controle inconsciente dos seguidores, uma vez que esses são convencidos a comprarem não por necessidade, mas porque aquele influenciador usa. Nessa linha, é possível perceber que a Indústria Cultural, estudada pelos sociólogos da Escola de Frankfurt, massifica padrões de vida enquanto insere, inconscientemente, o hábito de consumir em função do que o outro possui, e não em função da expressão da individualidade. Sendo assim, os influenciadores exercem papel ativo nesse processo, já que as suas publicidades acabam convencendo todos a se vestirem, por exemplo, como eles, determinando as decisões de consumo dos seguidores.
Logo, fica claro que entre os impactos dos influenciadores digitais nas decisões de consumo da população, estão a idealização do produto como solução universal e a massificação da compra pelo controle inconsciente das pessoas. Portanto, é necessário que a mídia desenvolva campanhas de aceitação das individualidades e da valorização delas, por meio de propagandas -realizadas principalmente em redes sociais, como o Instagram-, a fim de incentivar os indivíduos a não caírem na ilusão de vidas perfeitas e, desse modo, fazerem um consumo consciente e não mais programado.